Metalúrgicos pressionam e fecham bons acordos
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sexta-feira, 30 de maio de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Sindimetal, sindicato patronal que representa as metalúrgicas do Paraná, retrocedeu e aceitou pagar a reposição da inflação de uma só vez. O Sindimetal foi além da reivindicação dos metalúrgicos e vai incorporar o pagamento da inflação do mês de maio. Na campanha salarial de emergência, o Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região estava reivindicando a reposição da inflação de dezembro a abril, que totalizava 9,73%. O Sindimetal vai esperar o cálculo da inflação de maio, para incorporar o total no salário do mês de junho.
A concessão da antecipação salarial está condicionada à suspensão do movimento grevista, avisou o presidente do Sindimetal, Roberto Sotomaior Karam. Ele admitiu que as empresas estão decidindo sob pressão diante da ameaça de intensificação das greves a partir de segunda-feira. A decisão do Sindimetal foi anunciada no final da tarde de ontem, logo após o Sindicato dos Metalúrgicos ter anunciado o fechamento de acordo com três empresas metalúrgicas - a Van Leer, Ibratec e Molin. A Perfecta ficou de fora e os trabalhadores entraram em greve.
O acordo foi firmado depois que o Sindicato dos Metalúrgicos anunciou o rompimento das negociações com o Sindimetal, que apresentou proposta de pagar a reposição da inflação, um dos itens da pauta de reivindicações, em duas vezes. Sotomaior nega o rompimento, porque ela não foi firmada oficialmente.
Sotomaior disse que está esperando uma resposta do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Sérgio Butka, na segunda-feira. O empresário espera firmar o acordo e acabar de vez com as ameaças de greve, uma vez que os empresários aceitaram as principais reivindicações dos trabalhadores, que é a reposição da inflação e garantia de reposição integral do INPC, em dezembro, mês da data-base.
Nos três acordos, foram concedidos abonos que variam de R$ 370,00 a R$ 500, redução da jornada de trabalho, antecipação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e garantia de emprego para dirigentes sindicais. Butka disse que o Sindicato dos Metalúrgicos pretende negociar acordos individuais com cerca de 400 empresas que têm mais de 100 funcionários. Atualmente ele está em negociação com 26 empresas.
Para Sotomaior, o Sindicato dos Metalúrgicos está fazendo ''chantagem e recorrendo à agressividade'', sobre algumas empresas mais beneficiadas com acordos firmados com montadoras, que não podem deixar de atender os contratos, sob pena de terem que arcar com multas altíssimas. ''Com essa espada sobre a cabeça, elas aceitam qualquer coisa'', disse. Mas o empresário salientou que não pode estender acordos vantajosos para o conjunto de 1,6 mil empresas filiadas, sendo que desse universo apenas 20 delas estão em situação financeira melhor. ''As demais estão enfrentando dificuldades'', alega.


