Curitiba Cerca de 2,5 mil trabalhadores de empresas metalúrgicas da Cidade Industrial de Curitiba podem iniciar greve a partir de hoje. Eles trabalham em empresas que já receberam aviso de paralisação pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. O sindicato passou o dia de ontem negociando diretamente com algumas dessas empresas, depois de interromper as conversas com o sindicato patronal, o Sindimetal-PR. Eles reivindicam reposição salarial e outras cláusulas. No mês passado, o sindicato dos metalúrgicos promoveu greves nas montadoras até conseguir o reajuste pretendido.
Os trabalhadores metalúrgicos da Grande Curitiba são cerca de 35 mil. Eles reivindicam reposição do percentual da inflação de dezembro de 2002 a maio deste ano (cerca de 10%); garantia de reposição da inflação até novembro na data-base da categoria (dezembro); redução de jornada de 44 horas para 42 horas; antecipação de pelo menos 50% de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) até junho; garantia de estabilidade para dirigentes sindicais; e pagamento da multa do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) aos trabalhadores aposentados.
O Sindimetal-PR se prontificou a pagar a reposição da inflação na data-base e de repor as perdas acumuladas entre dezembro do ano passado e maio deste ano, a ser pago em duas parcelas iguais, em junho e julho. ''Isso é muito pouco'', afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Sérgio Butka. Segundo ele, a categoria não quer apenas a reposição da inflação, mas também outras garantias.
De acordo com Butka, 26 empresas estão em fase de negociação direta com o sindicato. Há cerca de 3 mil empresas no ramo na região de Curitiba, segundo ele, entre pequenas e grandes. O Sindimetal informou que tem 1,6 mil filiados. ''Vamos negociar com as 400 maiores empresas, ou seja, aquelas que têm mais de 20 funcionários'', explicou. Dessas 400, 50 são prioridade para o sindicato, porque têm mais de 200 funcionários cada uma.
O sindicato marcou assembléias com trabalhadores de sete empresas na manhã de hoje: AAM, Trox, Molins, ABS Bombas, Kvaerner, Perfecta e Haas do Brasil. A Molins apresentou ontem proposta ao sindicato, que será colocada em votação durante a assembléia. A negociação com as outras empresas ainda não estava definida até o início da noite de ontem, o que aumenta a expectativa de greve. A única proposta fechada foi com a empresa Valeer, que aceitou toda a pauta de reivindicações dos trabalhadores.

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