Carmem Murara
De Curitiba
Os metalúrgicos que trabalham nas montadoras da Região Metropolitana de Curitiba fazem hoje a primeira greve geral desde que as fábricas começaram a produzir. A paralisação é por 24 horas e vai atingir as unidades da Renault, Volkswagen/Audi e Volvo, única que já enfrentou outros movimentos grevistas. A Chrysler deu férias coletivas para os funcionários nesta segunda quinzena de outubro e por isso fica fora da manifestação.
A intenção do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba é iniciar o protesto às 5 horas da manhã, quando começam a chegar os primeiros ônibus com funcionários da Renault. Na mesma hora, sindicalistas vão estar em frente aos portões da Volkswagen/Audi para mobilizar os funcionários da montadora. Esta será a segunda tentativa de parar as montadoras, pois o protesto foi cancelado às pressas há 15 dias.
O Sindicato dos Metalúrgicos espera a adesão em massa dos trabalhadores das montadoras e de algumas fornecedoras de componentes instaladas próximas às fábricas, o que poderia resultar em cerca de seis mil pessoas, segundo previsão feita ontem pelo presidente da entidade Sérgio Butka. ‘‘Estamos negociando nosso contrato coletivo de trabalho nacional e por isso quanto mais gente participar da mobilização mais força teremos’’, disse Butka.
A campanha salarial dos metalúrgicos pede um piso salarial único para todo o País e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanas, passando para 36 horas numa segunda etapa. Eles querem ainda o final do trabalho aos sábados e um banco de horas de segunda a sexta-feira. Estas medidas são artifícios que poderiam garantir a manutenção do emprego, conforme avaliação as lideranças sindicais de Curitiba e de São Paulo.
A greve de 24 horas tem sido adotada em todo o País. A primeira paralisação foi em Betim (MG), onde está instalada a fábrica da Fiat, há cerca de um mês. Os metalúrgicos e policiais militares de Minas Gerais brigaram naquela ocasião, transformando o protesto em um tumulto generalizado.

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