Metalúrgicos param fábricas no ABC
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sexta-feira, 14 de março de 1997
Agência Folha 
Epitácio Pessoa/AEMobilizadosFuncionários da Ford protestam durante a visita do presidente FHC à nova linha de montagem do carro KASÃO BERNARDO DO CAMPO - Os metalúrgicos de São Bernardo do Campo (filiados à CUT - Central Única dos Trabalhadores) paralisaram ontem de manhã a produção nas principais fábricas da cidade, incluindo as montadoras Ford, Volkswagen, Mercedes-Benz e Scania. Outras fábricas grandes, como Multibrás (que produz eletrodomésticos Brastemp) e Metal Leve (autopeças), tiveram a produção paralisada parcialmente.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, os protestos mobilizaram cerca de 15 mil trabalhadores contra a política econômica do presidente FHC, que esteve ontem na região para a inauguração de uma linha de montagem na fábrica da Ford de São Bernardo do Campo. A produção só foi retomada no turno da tarde, por volta das 15h.
O principal ato de protesto foi uma passeata que, na avaliação dos trabalhadores, reuniu 10 mil pessoas na via Anchieta (que liga a capital à Baixada Santista). A Polícia Rodoviária estimou em 5.000 o número de participantes.
Às 9h15, os trabalhadores saíram de frente da fábrica da Volkswagen e seguiram para a pista marginal norte (sentido Baixada-capital) da Anchieta. A caminhada, inspirada na marcha dos sem-terra rumo a Brasília, bloqueou totalmente a pista. A polícia fez desvios por dentro de São Bernardo do Campo, mas, mesmo assim, houve congestionamento em um trecho de cerca de três quilômetros de extensão.
Os metalúrgicos protestavam contra mudanças na aposentadoria, desemprego e pediam pressa na reforma agrária. De cima de dois carros de som, líderes sindicais criticavam principalmente a possibilidade de ser instituída a idade mínima de 65 anos para a aposentadoria e os privilégios da aposentadoria de parlamentares.
Após marcharem dez quilômetros durante duas horas, os metalúrgicos chegaram à Ford, onde outro grupo, de cerca de 2.000 trabalhadores, já estava concentrado.
Sem permissão para entrar na Ford, os manifestantes escutaram o discurso do presidente FHC por intermédio do caminhão de som do sindicato, sintonizado em uma rádio de São Paulo que transmitia ao vivo a solenidade. O presidente foi vaiado durante quase toda sua fala, principalmente no momento em que se recusou a assinar um abaixo-assinado pedindo a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais.
Já bastante esvaziada, a manifestação continuou após o fim da cerimônia, quando funcionários da Ford saíram da fábrica para encontrar os trabalhadores concentrados junto à portaria. Cerca de 3.000 trabalhadores da Ford acompanharam a visita do presidente.
Foi um protesto histórico, um dos maiores dos últimos anos no ABC. Serviu para o presidente ficar sabendo que não é a unanimidade que pensa ser, disse Luiz Marinho, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. O protesto, pacífico, acabou por volta das 13h.


