Metalúrgicos negociam para evitar demissões
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segunda-feira, 11 de junho de 2001
Agência EstadoDe São Paulo 
Avaliação divulgada ontem pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo apontou que a maioria das indústrias locais suspendeu as novas contratações, mas descartou demissões em massa. De um modo geral, as empresas têm negociado conosco as medidas de racionamento, para evitar o impacto mais grave das demissões, afirmou na avaliação o presidente do sindicato Ramiro de Jesus Pinto.
As medidas sugeridas pelo sindicato vão desde redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, até a antecipação de férias coletivas. A redução da jornada, de acordo com proposta do sindicato, seria compensada em um banco de horas. As horas concedidas pela empresa deverão ser repostas pelos trabalhadores assim que a produção voltar à normalidade. O sindicato já recebeu dezenas de consultas das indústrias sobre o banco de horas e este sistema deverá ser adotado em larga escala, informou Pinto. - Algumas empresas, como a Caloi, em Santo Amaro (SP), já negociam férias coletivas a partir de julho. A Caloi deverá dar férias de 15 dias para metade de seus 450 funcionários.
A situação mais grave é a das empresas da chamada linha branca, como fogões e geladeiras, e a dos eletroeletrônicos e eletrodomésticos, que já apresentam queda nas vendas, avaliou Pinto. De acordo com ele, só a partir de julho o sindicato deverá ter um a avaliação mais precisa do resultado das medidas. Por enquanto, tudo o que temos são projeções, admitiu ele.
PerspectivasGrande parte das empresas com sede na cidade de São Paulo acredita que deverá fazer demissões em razão do racionamento de energia elétrica. De acordo com pesquisa realizada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) com 573 entrevistados, sendo 401 microempresas, 68% das indústrias projetam que vão reduzir seu quadro de pessoal. No comércio, este porcentual é de 36% e no setor de serviços, de 35%. A pesquisa foi feita com 61 indústrias, 323 estabelecimentos comerciais e 189 empresas do setor de serviços.
O levantamento mostrou que a maioria das indústrias (66%) espera uma elevação de preços em razão da falta de energia. Esta é a expectativa também de 44% do comércio e 40% do setor de serviços.


