Cem mil trabalhadores metalúrgicos da área metropolitana da cidade de São Paulo, que concentra a maior parte da produção, iniciaram ontem paralisações que afetarão setores estratégicos, informou a Central Única dos Trabalhadores (CUT). O processo da greve é paulatino, se realizará seletivamente por setores de empresas diferentes, e de longa duração, ''com o objetivo de desorganizar a produção'', assinalou o sindicato.
Os trabalhadores não aceitaram uma proposta do sindicato patronal das montadoras de carros de ajustar salários na base de 70% da inflação.
O programa de greves prevê paradas localizadas de duas horas nas principais fábricas - que começaram ontem- e de três horas a partir de hoje.
Após uma drástica contração das vendas (mais de 22%) em setembro na indústria de carros no Brasil - que representa 10% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial do País - as montadoras iniciaram negociações com os sindicatos, para flexibilizar a dia do trabalho e evitar as demissões.
O primeiro dia de mobilização nas montadoras contou com a adesão de 15 mil trabalhadores, segundo a Federação Estadual dos Metalúrgicos (FEM) da CUT. Foram atingidas ontem pelas paralisações de duas horas a Volkswagen, DaimlerChrysler, Scania e Kostal, todas na região do ABC. Na Toyota, a greve deveria durar o dia inteiro.
Para hoje, estão programadas paralisações em outras empresas. A Ford será uma das montadoras que terá de enfrentar paralisações hoje. A empresa não entrou na programação de ontem, pois os funcionários tiveram folga.
A FEM-CUT também marcou para hoje uma manifestação na Avenida Piraporinha, em Diadema, no ABC, que reunirá trabalhadores de fábricas localizadas na região.
Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, o processo de greve será diferente neste ano. ''Vamos fazer uma greve inteligente, a greve pipoca, que a gente sabe que estoura, mas não sabe o momento nem qual delas.''
Hoje, a FEM vai entregar ao Ministério Público Estadual uma denúncia contra a Força Sindical. A entidade acusa o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, ligado à Força Sindical, de ter ''vendido'' a estabilidade no emprego dos doentes profissionais para o empresariado.

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