Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) fizeram ontem manifestação em frente ao Sindipeças (sindicato das empresas de autopeças), em São Paulo, para marcar a entrega da pauta da campanha salarial ao setor.
Uma das principais reivindicações, a antecipação da data-base de novembro para setembro, foi rejeitada pelos empresários. ''As negociações envolvem 220 mil trabalhadores em cerca de 800 fábricas no Estado de São Paulo. E 65% deles são ligados à Força Sindical. Não há como separar as discussões e fechar dois acordos'', disse Dráusio Rangel, representante do Sindipeças.
Além da mudança, a categoria pede reposição da inflação -em torno de 7%- e aumento real, entre outros itens. A primeira negociação foi marcada para o próximo dia 11.
Na Volks de São Bernardo, 15 mil funcionários rejeitaram ontem a proposta de participação nos lucros e resultados feita pela montadora. Os operários prometem paralisações diárias, por períodos de até duas horas, para forçar as negociações.
Os funcionários querem aumentar o patamar mínimo da participação nos lucros, oferecido pela Volks, de R$ 2,6 mil para R$ 2,73 mil. Esse valor pode chegar a até R$ 3,3 mil, dependendo do cumprimento de metas.
''No ano passado, recebemos R$ 2,6 mil. Queremos correção dessa quantia pela inflação dos últimos 12 meses, o que daria R$ 2,73 mil'', disse Hélio Moreira, coordenador da comissão de fábrica da Volks.
Segundo a comissão, 4 mil funcionários pararam ontem por duas horas as linhas de armação e usinagem, afetando a produção da fábrica.
A assessoria de imprensa da Volks informou que a direção da montadora não vai comentar as negociações, nem as paralisações.
Em São Bernardo, 1,3 mil funcionários da empresa de autopeças Mahle/Metal Leve paralisaram as atividades ontem e prometem entrar em greve por tempo indeterminado a partir de amanhã por causa do anúncio de 60 demissões.

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