Metalúrgicos do PR decidem pela greve
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terça-feira, 02 de setembro de 2008
Cláudia Palaci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Cerca de 8,5 mil metalúrgicos das montadoras Renault/Nissan e Volkswagen, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) deflagraram greve por tempo indeterminado desde ontem pela manhã após assembléia. Na segunda-feira (1), os trabalhadores fizeram paralização de 24 horas e apresentaram as reivindicações da categoria.
Os trabalhadores da Volvo, localizada na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), voltaram às atividades após a empresa abrir um canal de negociação direto com os funcionários. ''Vamos aguardar até hoje as propostas e discutí-las. Quinta haverá nova assembléia. Se não houver acordo, entraremos em greve'', comenta o líder sindical, Edilson Luiz da Silva. A expectativa é que além das reivindações da categoria, a empresa equipare o adicional noturno paranaense ao paulista em 25% ante os 20% atuais.
De acordo com Sérgio Butka, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), as montadores nunca estiveram com uma saúde financeira tão boa e não há porque não aceitar as exigências dos trabalhadores. ''Não temos interesse em prejudicar a produção, mas as empresas precisam ter bom senso e voltar a negociar'', reclama, ao lembrar que o Sindicato Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea) não aceita conversar com os trabalhadores enquanto estiverem parados.
Segundo o SMC, as empresas insistiram em manter a proposta de reajuste de 0,5% de aumento real além dos cerca de 8% para cobrir perdas inflacionárias. O sindicato da categoria pede aumento de 5% de aumento real, além de 8% referentes a perdas inflacionárias, o que totaliza aproximadamente 13% de reajuste; somados a um abono de R$ 1,5 mil.
Butka analisa que a proposta das montadoras é inferior à fechada em 2007. Na ocasião, os metalúrgicos da Volks e Renault tiveram que fazer quatro dias de greve para conquistar um aumento real de 2,5%. Contando com os 4,82% referentes à correção da inflação, a categoria teve um aumento total de 7,44%. Além disso, os trabalhadores receberam também um abono de R$ 1,5 mil. Na Volvo, não houve greve. Os valores fechados com a fábrica de ônibus e caminhões foram os mesmos da Volks e Renault, só que com um abono de R$ 1 mil.
As montadoras já contabilizam a queda na produção. Pela contas do Sinfavea, com a paralisação de segunda-feira deixaram de ser produzidos aproximadamente 1,5 mil automóveis, 1,1 mil motores e 80 caminhões.
A diretoria do Sinfavea foi procurada para esclarecer sobre as rodadas de negociação, mas a assessoria de imprensa da entidade não retornou o contato da reportagem da FOLHA.


