As empresas do setor metalúrgico do grande ABC iniciam a semana enfrentando uma série de paralisações por parte de seus funcionários. A decisão de interromper o ritmo dentro das fábricas, paralisação denominada ''greve pipoca'', foi aprovada ontem durante assembléia que reuniu 12 mil metalúrgicos, segundo a direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, e pouco mais de 5 mil, segundo avaliação da Guarda Municipal de São Bernardo do Campo.
Os metalúrgicos aprovaram a proposta do sindicato de transferência da data-base da categoria do dia 1º de novembro para o dia 1º de setembro. Também foi aprovado pela assembléia de trabalhadores a negociação do dissídio por dois anos. Desta forma, em 2002 não haveria campanha salarial para os metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
A assembléia rejeitou, por unanimidade, a proposta das empresas de reposição de 70% da inflação acumulada nos últimos 12 meses. A categoria reivindica reposição integral da inflação integral acumulada no período, de cerca de 7%, e aumento real ao longo de dois anos.
O presidente do sindicato, Luiz Marinho, afirmou que não vai aceitar os argumentos dos empresários que alegam não ter condições de repor integralmente a inflação em razão do baixo nível da atividade econômica. ''Isso não é verdade porque as montadoras manterão neste ano o mesmo nível de produção registrado no ano passado ou até um pouco mais'', disse o sindicalista. De acordo com ele, o que está ocorrendo este ano é apenas uma troca do período de pico de produção. No ano passado, de acordo com Marinho, o melhor
momento para as empresas foi o segundo semestre. Este ano, o pico de produção do registrado no primeiro semestre. ''Mas a produção como um todo prevista para este ano é de 1,8 milhão de unidades, volume bem próximo do registrado no ano passado.''
As fábricas da Volkswagen, Scania e Mercedes Benz serão as primeiras a serem paralisadas, a partir de hoje, pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, informou ontem o presidente da entidade, Luiz Marinho. Essas empresas terão
suas produções interrompidas por cerca de duas horas dentro da programação de greve. Segundo Marinho, o objetivo deste tipo de greve, fragmentada, é desestruturar o processo de produção das indústrias. ''Quando o setor de peças estiver funcionando, as montadoras estarão paradas e quando as montadoras estiverem funcionando, não terão peças para operar,'' reiterou.
De acordo com Marinho, uma greve uniforme favorece as empresas que desejam dar férias coletivas para seus funcionários. E quando se faz uma ''greve pipoca'', o esquema de produção fica comprometido.
Na terça-feira, a greve deverá atingir as demais montadoras instaladas no ABC e cerca de sete empresas do setor de autopeças. Na quarta-feira, a comissão de mobilização do sindicato fará uma reunião, às 16 horas, para avaliar o movimento. No decorrer do resto da semana, a ''greve pipoca'' continua, sem horário determinado para ocorrer. Segundo Marinho, se empresários não se sensibilizarem, a entidade deverá alterar sua estratégia de mobilização. Ainda para esta semana, o sindicato pretende interromper o tráfego de veículos na Via Anchieta, como forma de chamar a atenção para o movimento.

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