Curitiba - A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) dos metalúrgicos que trabalham na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) deve injetar R$ 42 milhões no mercado até o final do ano. Só as quatro montadoras que compõem o pólo automotivo do Paraná Renault, Audi-Volkswagen, Volvo e Case New Holland devem contribuir com uma PLR de R$ 26,4 milhões, valor que pode gerar até quatro salários excedentes para cerca de 8,8 mil metalúrgicos.
A previsão de participação nos lucros foi anunciada ontem pelo diretor do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Clementino Tomaz Vieira. O sindicalista anunciou ainda o lançamento da campanha salarial de 2004, cuja data-base vai de setembro a dezembro. Os metalúrgicos estão reivindicando reajuste salarial de 15%, índice que, segundo eles, cobre defasagem salarial de 5,24% e gera um adicional para recuperação da renda dos trabalhadores.
Tomaz Vieira destacou que diferentemente de outros anos, o momento é propício para negociação devido ao aumento da produção de veículos automotores e do cenário de reativação da economia. Os metalúrgicos também pretendem pressionar as montadoras para aumentarem as contratações. Eles prometem endurecer na limitação de horas-extras para obrigar as contratações.
A campanha salarial deste ano inclui a reivindicação pela implantação da jornada semanal de 40 horas em todas as montadoras. Atualmente, somente Renault e Volvo cumprem essa jornada. Os metalúrgicos incluiram ainda como bandeira de luta a correção da tabela do Imposto de Renda (IR) e a revisão da Lei de Falências, que limita a indenização dos trabalhadores em 150 salários mínimos.
Caso os metalúrgicos não consigam acordos nas reivindicações gerais, prometem transferir o pagamento da conta para os patrões, avisou o diretor do sindicato, Claudio Gramm. Segundo ele, se o governo federal não atender a reivindicação, todo reajuste salarial conquistado pelos metalúrgicos ficará retido pelo governo para pagamento dos impostos. ''A compensação da conta para as montadoras também é uma forma de pressão'', admitiu.
A primeira parcela da PLR deste ano já foi paga em junho e somou a liberação de R$ 19,1 milhões, sendo R$ 11 milhões das montadoras. Na segunda parcela, prevista para ser paga no início do próximo ano, devem ser pagos mais R$ 22,3 milhões, sendo R$ 15,4 milhões das montadoras. Tomaz Vieira disse que a conquista da PLR deve ser atribuída ao trabalho de descentralização do Sindicato dos Metalúrgicos, que instalou várias subsedes na RMC.

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