Curitiba - O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba denunciou a Bosch ao Ministério Público do Trabaho por assédio moral. O presidente do sindicato, Sérgio Butka, disse que a empresa, localizada na Cidade Industrial de Curitiba, está tentando reduzir os salários e a jornada de trabalho em 20% de forma ilegal, sem nenhuma garantia de emprego.
Os metalúrgicos reclamam que estão sofrendo assédio moral, pressão e até ameaça de demissão para aceitar a proposta. A empresa, que tem cerca de 4 mil funcionários, demitiu 250 trabalhadores na primeira semana de dezembro. No total de 2008 foram cortados 800 postos de trabalho. Na unidade industrial de Curitiba são fabricadas bombas injetoras para o sistema a diesel.
Butka destacou que a empresa diminuiu a produção em 40% desde dezembro. ''Para um caso como esse temos outros remédios como banco de horas, férias coletivas e suspensão de contrato de trabalho. Reduzir salários é ir na contramão'', disse. Ele lembrou que os trabalhadores não concordaram com a redução de jornada e de salários em duas assembléias.
Butka prevê uma melhora do cenário e aponta um suposto alarde exagerado sobre o tema da crise. ''Em janeiro de 2009, Renault e Volks estão com os mesmos níveis de venda de igual período no ano passado'', disse.
Em nota oficial, a Bosch informou que a redução da jornada de trabalho com redução de salário, prevista em lei, é a solução necessária para adequar o grau de ocupação de pessoal à demanda atual. A empresa destacou que sempre atuou dentro da legalidade, respeitando o direito dos trabalhadores e que se mantém aberta ao diálogo com o sindicato.
Além da Bosch, o sindicato está convocando também a Volkswagen, New Holland e Volvo para discutir alternativas às dispensas no Ministério Público do Trabalho. Na primeira quinzena de dezembro, a New Holland demitiu 370 funcionários, a Volvo, outros 430. Na Volks, os cortes atingiram 250 metalúrgicos nos últimos três meses. O objetivo do sindicato é evitar novas demissões e flexibilização de direitos.

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