Metalúrgicos: demitidos e sem rescisão
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sábado, 07 de fevereiro de 2009
Edson Pereira Filho<br> Reportagem Local 
Metalúrgicos demitidos por empresas de Londrina e região têm aguardado pelo menos um mês para ter homologada suas rescisões de contrato de trabalho. A legislação trabalhista garante que qualquer trabalhador após ser demitido e desobrigado de cumprir o aviso prévio de 30 dias tenha seu acerto formalizado em dez dias úteis na entidade sindical da categoria. No entanto, o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Londrina, Valdir de Souza, informou que o órgão só tem feito uma homologação por dia para cada empresa. O motivo seria a disponibilidade de apenas um diretor para fazer o acerto.
Esta demora na homologação dos trabalhadores está ocorrendo desde o início do ano. O metalúrgico de Cambé (13 km a oeste de Londrina), Carlos Verenka Portela, conta que foi demitido da empresa e já no último dia 9 fez exames para marcar a homologação. Pensei que no dia seguinte faria a homologação, aí me avisaram que só no dia 3 de março é que vou fazer, disse, indignado. Segundo ele, as contas e o sustento da família estão comprometidos. Preciso fazer o acerto rapidamente para poder encontrar outro trabalho, protestou.
O diretor do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Londrina, Ary Sudan, disse que as empresas estão tendo altos gastos com apenas um acerto por dia no sindicato de trabalhadores. Segundo ele, funcionários de recursos humanos chegam a perder meio dia de trabalho para fazer apenas um acerto. Além do prejuízo em deslocar esses colaboradores, o representante patronal lembra que os trabalhadores demitidos ficam quase 30 dias sem o seguro desemprego e sem a liberação da multa de 40% sobre o valor do Fundo de Garantia. As empresas têm o maior interesse em resolver logo os pagamentos de demissão, afirmou.
Estamos homologando nornalmente, disse Valdir de Souza, diretor do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Londrina. Segundo ele, a entidade está em dificuldades financeiras para contratar mais funcionários para atuação nas homologações de rescisões, devido a uma dívida junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT). Perguntado que dívida seria essa, o dirigente não quis comentar. Quando questionado sobre a demora de 30 dias para acerto, Souza considerou improvável esta situação estar acontecendo. Quando não dá para fazer aqui, encaminhamos as empresas e os trabalhadores para a Delegacia Regional do Trabalho, informou.
O gerente da Delegacia Regional do Trabalho, Dorival Silvestre, informou que o número de acertos aumentou desde o início do ano. Estamos atendendo dez metalúrgicos por dia, comentou, acrescentando que os 20 auditores que fazem este serviço se dividem também em tarefas de fiscalização das empresas e orientação às pessoas que procuram o órgão para saber sobre direitos trabalhistas. Também fazemos homologações de outras categorias. O ideal é que o trabalhador faça o acerto no próprio sindicato, ponderou.


