O Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, Igarapé e Bicas, que representa os empregados da Fiat Automóveis, está fazendo coro à posição contrária do governador Itamar Franco (PMDB) ao acordo que a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e sindicatos ligados ao setor tentam costurar com o governo federal.
Em reunião na última sexta-feira, os sindicalistas mineiros decidiram pelo apoio irrestrito à decisão do governador. Naquele dia, Itamar Franco havia dito ser ‘‘muito difícil’’ reduzir em três pontos percentuais o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), conforme pleiteiam os interessados no acordo.
Sob argumento de reativar o mercado e manter os empregos, o acordo prega a redução do IPI, já acertada com o governo federal, a redução do ICMS pelos Estados produtores (Minas Gerais, São Paulo e Paraná) e a redução do preços dos veículos pelas montadoras. São Paulo e Paraná já concordaram com a redução do imposto estadual.
Na contramão dos demais trabalhadores, o sindicato de Betim decidiu não fazer nenhum esforço para que o acordo seja viabilizado. Segundo o vice-presidente, Marcelino da Rocha, as medidas propostas são ineficazes para se chegar à retomada das vendas e dos empregos no setor automotivo. A posição do sindicato mineiro será apresentada oficialmente hoje às entidades que negociam com o governo federal.
‘‘O acordo que está sendo proposto não altera o quadro recessivo, não mexe na política econômica do governo e não altera a política de juros altos. Na nossa opinião, esses são os centros para melhorar o nível de emprego. O acordo é pouco prático’’, afirmou.
Os argumentos apresentados para contestar o acordo são variados. O sindicato diz reconhecer a impossibilidade do Estado de abrir mão de parte do imposto da Fiat. A montadora está entre os cinco maiores recolhedores individuais do R$ 480 milhões.
Além disso, o sindicato acusa a Fiat de já ter descumprido um acordo semelhante no ano passado e alega ainda ter acertado em janeiro com a montadora um acordo que garantiria emprego ou salário até 30 de abril. O sindicato reclama ainda de ter ficado de fora das negociações. Segundo ele, só na quinta-feira passada, foi contatado pelo vice-presidente do sindicato do ABC, Carlos Alberto Grana.
Eduardo Muzzi, vice-presidente da Anfavea e diretor jurídico e de Políticas Ambientais da Fiat, disse que, se Minas não aderir ao acordo, os preços dos carros produzidos no Estado ficarão mais caros. Ele responde às críticas de que a redução do imposto provocará queda na arrecadação. Trabalha com a tese de que a redução vai gerar aumento das vendas e consequentemente crescimento da base de arrecadação do ICMS, o que compensaria a redução do imposto pelo Estado.
O assunto será discutido na próxima reunião do Confaz (Conselho de Política Fazendária), composto pelos 27 secretários da Fazenda, que acontece em Fortaleza, na terça-feira. O Confaz só aprova decisões unânimes.

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