Metalúrgicos da Volvo entram em greve
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quarta-feira, 08 de janeiro de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
Kraw PenasTempo fechadoTrabalhadores da Volvo entram em confronto com a polícia: greve parou atividades da empresa
Os funcionários da linha de produção da Volvo do Brasil entraram ontem em greve por tempo indeterminado. O movimento foi deflagrado pela manhã com um piquete em frente à fábrica, na Cidade Industrial de Curitiba. A empresa pediu a ilegalidade da greve na Delegacia Regional do Trabalho. Se o movimento for julgado ilegal, a montadora disse que vai descontar os dias parados e até demitir funcionários.
O início da greve foi decidido minutos antes da entrada para o trabalho dos cerca de 700 funcionários, que retornavam das férias coletivas concedidas no dia 13 de dezembro. Eles teriam uma assembléia na porta da fábrica com o Sindicato dos Metarlúrgicos, mas a reunião foi abortada por causa de uma manobra da empresa. A diretoria da Volvo teria desviado os ônibus com os funcionários para um bairro mais afastado na tentativa de sufocar o movimento grevista.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Sérgio Butka, disse que a idéia inicial não era a paralisação. A assembléia foi apenas para discutir a proposta patronal, mas a categoria ficou revoltada com a empresa e decidiu parar, afirmou Butka.
A Volvo propõe um reajuste de 9% para os funcionários que ganham salários até R$ 800,00; 7% para quem ganha até R$ 2 mil e R$ 140 reais para o restante dos trabalhadores. O sindicato não abre mão de um reajuste linear de 10,62%. Segundo Butka, o índice já é praticado por 60% das 3,5 mil empresas de metalurgia da região metropolitana. A data-base dos metalúrgicos é em dezembro.
O assessor de imprensa da Volvo, Valter Viapiana, informou que a montadora ainda não fechou o acordo coletivo porque o sindicato não se manifestou sobre a proposta patronal. Ele disse ainda que a Volvo paga os melhores salários entre as demais empresas. O salário da Volvo é 30% maior do que todo o restante do mercado curitibano, assegurou.
O salário médio na área administrativa é de R$ 1,9 mil e o da produção está em torno de mil reais. O assessor garantiu que ninguém recebe menos de R$ 500, o que representa pouco mais de R$ 200 acima do piso da categoria.
A greve paralisou toda a produção da Volvo. Foram deixados de produzir 15 caminhões e sete ônibus. Este foi o segundo movimento grevista da história da Volvo no País. A empresa está instalada desde 1979 em Curitiba. A última greve aconteceu em 1980, quando os funcionários pararam por 24 horas. A empresa, que em 95 faturou R$ 600 milhões, ainda não sabe contabilizar o prejuízo que deve ter em consequência da greve.
O Sindicato dos Metalúrgicos ameaça estender a greve para outras empresas que não aceitarem o reajuste proposto. Na segunda-feira, os sindicalistas vão fazer assembléias em frente das empresas Furukawa, Krone, Yok, Nagius e Hubner. Elas também não assinaram o acordo coletivo.


