Metalúrgicos da Volks voltam ao trabalho
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sexta-feira, 14 de maio de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os metalúrgicos da Audi-Volkswagen retornaram ao trabalho ontem no segundo turno que iniciou às 15 horas, após quatro dias de greve. A montadora avalia que mais de dois mil carros deixaram de ser produzidos no período de paralisação.
O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba salienta que se for considerada a produção de dois sábados de trabalho do banco de horas que não foram convocados, foram exatamente 2.950 veículos que deixaram de ser produzidos esta semana.
Os trabalhadores atenderam à convocação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Paraná, que pela manhã julgou a greve legal, mas determinou o retorno imediato ao trabalho. Na decisão, o TRT atendeu à reivindicação dos trabalhadores e determinou a redução da jornada de 42 para 40 horas semanais, o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) no valor de R$ 2.950 e ainda determinou que a empresa pague os dias parados.
Na avaliação do sindicalista Jamil D'Avila, da Comissão de Fábrica, a decisão do TRT abre brechas para outras empresas do setor metalúrgico, cuja carga horária e volume de trabalho vêm provocando muitos afastamentos de funcionários por problemas de saúde.
Em duas audiências de conciliação promovidas entre trabalhadores e montadora, o Sindicato dos Metalúrgicos citou o elevado índice de afastamento dos funcionários, em torno de 10%, em função das más condições de trabalho.
Em nota oficial, a Audi-Volks disse que respeita a decisão do TRT do Paraná, mas estuda a possibilidade de recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). A empresa alega que a decisão pode comprometer o cumprimento da meta estabelecida para este ano que é de atingir uma produção de 150 mil carros.
Segundo D'Avila, os trabalhadores apelam para o bom senso da montadora para que ela não recorra ao TST e preserve o patrimônio que tem em recursos humanos. O sindicalista disse que mais importante para os trabalhadores foi a redução da jornada que resgata a melhoria das condições de trabalho. Ele lembrou que em São Paulo, os trabalhadores da Audi-Volks também lutaram pela redução da jornada de trabalho e a montadora não recorreu.
Para D'Avila, se a Audi-Volks recorrer ao Tribunal estará evidente a diferença de tratamento entre os trabalhadores de São Paulo e do Paraná. O sindicalista disse que os trabalhadores da planta de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, até aceitam ganhar cerca de 70% do salário recebido pelos colegas paulistas. Mas, segundo ele, exigem condições de igualdade na melhoria das condições de trabalho.
Na avaliação do Sindicato dos Metalúrgicos, a decisão do TRT foi extremamente satisfatória. ''Só não ficaram totalmente satisfeitos porque o TRT não deu os R$ 3,2 mil de PLR que vinham sendo reivindicados'', concluiu D'Avila.


