Curitiba – Os trabalhadores da Volkswagen vão cortar horas extras e não descartam a possibilidade de greve. Depois de uma reunião que durou duas horas e meia, o Comitê Nacional dos Trabalhadores da Volkswagen - formado por representantes das cinco unidades da montadora no Brasil - decidiu que não negociará as propostas apresentadas no plano de recuperação da empresa. A pretensão da montadora é demitir 5.773 funcionários nas fábricas de São Bernardo do Campo, Taubaté e São José dos Pinhais.
  O objetivo de não fazer mais horas extras é reduzir a formação dos estoques da empresa e, em seguida, decretar greve a qualquer momento. Os trabalhadores também não aceitaram participar do ‘‘clima de competição’’ estimulado pelo plano da montadora. Para incentivar a competição entre as unidades, a empresa quer produzir cada modelo na unidade em que a produção apresentar os menores custos. Durante a reunião que aconteceu ontem em São Bernardo do Campo, foi decidido também que a empresa não será avisada sobre datas nem horários das paralisações.
  O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka, disse que os trabalhadores vão fazer um planejamento estratégico conjunto para contrapor as demissões. ‘‘Não vamos negociar demissões com a empresa’’, afirmou. Além disso, ficou decidido que os trabalhadores vão levar uma carta de repúdio para a negociação que acontece na próxima semana na Alemanha com a presença de funcionários da montadora que atuam em vários países.
  ‘‘Vamos conscientizar os trabalhadores para não fazer hora extra‘‘, disse Butka. Segundo ele, na fábrica de São José dos Pinhais, foram realizadas 120 mil horas extras e 700 mil em São Bernardo do Campo em 2005.
  Segundo ele, nos próximos 15 dias serão traçadas novas estratégias. A reunião de ontem teve a participação de representantes dos sindicatos de São Bernardo do Campo, Taubaté, São José dos Pinhais, Resende e São Carlos. ‘‘Acho que a Volkswagen não vai fechar fábrica alguma. Se houve demissões vamos reagir contra’’, disse.
  A paralisação de um dia em todas as 47 plantas da Volkswagen do mundo foi uma das propostas discutidas na reunião de ontem. A proposta da paralisação mundial será levada ao encontro mundial de trabalhadores da Volkswagen, que ocorre na semana que vem em Wolfsburg, na Alemanha.
  A montadora tem 4 mil trabalhadores na planta de São José dos Pinhais (PR), 5 mil em Taubaté (SP), 12 mil em São Bernardo do Campo (SP), 500 em Resende (RJ) e 500 em São Carlos (SP). No mundo, são 47 plantas em 19 países, totalizando 345 mil trabalhadores.
  Gilson Ricardo Santos Batista, que faz parte da comissão de fábrica da unidade da montadora no Paraná, embarca para a Alemanha para participar do encontro de trabalhadores que vai de 8 a 14 de maio. A reunião vai acontecer na fábrica de Wolfsburg e vai envolver trabalhadores de todos os países nos quais a montadora tem plantas. ‘‘O ponto principal de discussão será a reestruturação da Volkswagen no mundo todo. Só na Alemanha foram anunciadas 20 mil demissões‘‘, disse.
  Os cortes pretendidos no plano de reestruturação da Volks deverão ocorrer num prazo de dois anos. A estimativa é que o quadro de 24 mil funcionários do Brasil seja reduzido em 25%. Só neste ano, 3.016 trabalhadores devem perder o emprego. Um dos motivos alegados pela empresa para as demissões é a valorização do real frente ao dólar o que teria prejudicado as exportações do grupo. (Com agências)

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