Curitiba Cerca de 2,8 mil funcionários da montadora Renault, em São José dos Pinhais, município da Região Metropolitana de Curitiba, iniciaram ontem uma greve por tempo indeterminado. Os metalúrgicos querem a reposição emergencial das perdas salariais referentes ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de setembro de 2002 até março deste ano. As perdas chegariam a 14,61%, no cálculo dos metalúrgicos.
A Renault ofereceu um abono de R$ 360,00 dividido em três parcelas. O abono seria a título de vale-alimentação e com valores escalonados de acordo com a faixa salarial. Na montadora, o piso salarial é de R$ 690,00. ''A mobilização aqui é total. A gente quer discutir reposição de perdas salariais e não abono'', declarou ontem o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka.
Até o final do dia, a Renault não procurou o Sindicato dos Metalúrgicos para negociar, o que reforçou a paralisação por tempo indeterminado. A estimativa é que a montadora deixou de produzir 340 veículos, que corresponde à produção diária da Renault.
Hoje, os metalúrgicos da Volvo também poderão entrar em greve. Eles marcaram para as 7 horas a assembléia geral que irá avaliar a proposta da empresa, que ofereceu um abono de R$ 500,00 dividido em duas vezes iguais. Atualmente o piso salarial dos funcionários da montadora é de R$ 722,00. Ontem, houve uma paralisação de alerta de três horas. Nesse período deixaram de ser fabricados cerca de 11 caminhões, pouco menos da metade da produção diária da montadora que é de 23 caminhões por dia.
''O que nós queremos é uma negociação mais efetiva. No caso da Volvo, está faltando uma garantia de que as perdas salariais serão repostas em setembro de acordo com o INPC'', alertou Butka. A montadora procurou o sindicato para discutir a proposta apresentada, que será submetida na assembléia que será realizada hoje, prazo final para a Volvo. Se não sair acordo haverá greve, informou a direção do sindicato.
A situação mais confortável é a da Volkswagen/Audi, que já sinalizou com um abono salarial de R$ 500,00 dividido em cinco vezes e a garantia de INPC integral na data-base da categoria. O piso na montadora é de R$ 670,00. Os 2,7 mil funcionários da empresa decidem também hoje, às 14h30, se aceitam a proposta da Audi. A tendência da categoria é rejeitar as propostas de abono salarial e caso isso prevaleça, haverá greve na Volkswagen, informou a assessoria de imprensa do sindicato.
Ontem, a assessoria de imprensa da Renault informou que a montadora admite o estado de greve. No entanto, não havia qualquer sinalização de negociação futura com a categoria. Já na Volvo, a assessoria informou que a diretoria está avaliando a reivindicação dos metalúrgicos. (Colaborou Vânia Casado)

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