Metalúrgicos da Renault iniciam greve
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terça-feira, 22 de abril de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba Cerca de 2,8 mil funcionários da montadora Renault, em São José dos Pinhais, município da Região Metropolitana de Curitiba, iniciaram ontem uma greve por tempo indeterminado. Os metalúrgicos querem a reposição emergencial das perdas salariais referentes ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de setembro de 2002 até março deste ano. As perdas chegariam a 14,61%, no cálculo dos metalúrgicos.
A Renault ofereceu um abono de R$ 360,00 dividido em três parcelas. O abono seria a título de vale-alimentação e com valores escalonados de acordo com a faixa salarial. Na montadora, o piso salarial é de R$ 690,00. ''A mobilização aqui é total. A gente quer discutir reposição de perdas salariais e não abono'', declarou ontem o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka.
Até o final do dia, a Renault não procurou o Sindicato dos Metalúrgicos para negociar, o que reforçou a paralisação por tempo indeterminado. A estimativa é que a montadora deixou de produzir 340 veículos, que corresponde à produção diária da Renault.
Hoje, os metalúrgicos da Volvo também poderão entrar em greve. Eles marcaram para as 7 horas a assembléia geral que irá avaliar a proposta da empresa, que ofereceu um abono de R$ 500,00 dividido em duas vezes iguais. Atualmente o piso salarial dos funcionários da montadora é de R$ 722,00. Ontem, houve uma paralisação de alerta de três horas. Nesse período deixaram de ser fabricados cerca de 11 caminhões, pouco menos da metade da produção diária da montadora que é de 23 caminhões por dia.
''O que nós queremos é uma negociação mais efetiva. No caso da Volvo, está faltando uma garantia de que as perdas salariais serão repostas em setembro de acordo com o INPC'', alertou Butka. A montadora procurou o sindicato para discutir a proposta apresentada, que será submetida na assembléia que será realizada hoje, prazo final para a Volvo. Se não sair acordo haverá greve, informou a direção do sindicato.
A situação mais confortável é a da Volkswagen/Audi, que já sinalizou com um abono salarial de R$ 500,00 dividido em cinco vezes e a garantia de INPC integral na data-base da categoria. O piso na montadora é de R$ 670,00. Os 2,7 mil funcionários da empresa decidem também hoje, às 14h30, se aceitam a proposta da Audi. A tendência da categoria é rejeitar as propostas de abono salarial e caso isso prevaleça, haverá greve na Volkswagen, informou a assessoria de imprensa do sindicato.
Ontem, a assessoria de imprensa da Renault informou que a montadora admite o estado de greve. No entanto, não havia qualquer sinalização de negociação futura com a categoria. Já na Volvo, a assessoria informou que a diretoria está avaliando a reivindicação dos metalúrgicos. (Colaborou Vânia Casado)


