Curitiba - Os metalúrgicos da Renault, localizada em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), aprovaram ontem em assembleia, o pacote de benefícios negociado entre o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba e a empresa. Os trabalhadores vão receber entre 2011, 2012 e 2013, até 20,19% de aumento real e mais R$ 61,5 mil referentes à Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) e abono salarial. Além disso, a tabela de salários da empresa também terá aumento. O acordo vai injetar R$ 343 milhões na economia paranaense nos próximos dois anos.
Considerando o volume de recursos, esse é o maior acordo salarial já fechado pelos trabalhadores em toda a história das negociações salariais no Brasil, segundo o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro. Ele disse que o acordo tem alguns fatores inovadores como o período de três anos, a possibilidade de o trabalhador poder prever a renda referente a aumento real, PLR e abono salarial. ''O funcionário sabe o que vai ganhar nos próximos três anos'', ressaltou.
De acordo com o sindicato, o acordo prevê aumento real de salário de 2,5% este ano, 3% em 2012 e 3,5% em 2013. Em todos os anos haverá reposição integral da inflação, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Em relação ao abono salarial, os metalúrgicos devem receber R$ 5 mil no próximo mês. Há ainda previsão de R$ 5 mil para setembro de 2012 e R$ 5,5 mil em setembro de 2013. Nos dois últimos anos, eles receberão correção pelo INPC acumulado.
A PLR ficou definida em R$ 15 mil para 2012, com a primeira parcela de R$ 7,5 mil para maio e a segunda conforme as metas, a ser paga em fevereiro de 2013. No ano seguinte, a PLR subirá para R$ 18 mil, com a primeira parcela de R$ 9 mil em maio de 2013 e a segunda em fevereiro de 2014. Um plano de cargos e salários também foi acertado com reajuste de 10% na primeira faixa salarial, que beneficiará 80% dos trabalhadores. Para o restante, o reajuste será de 5%.
O primeiro acordo com mais itens negociados no Paraná tinha sido o da fábrica da Volkswagen, em maio, após os trabalhadores realizarem uma greve que durou 37 dias. ''Quando há bom senso, é possível fechar bons acordos, que beneficiam tanto o trabalhador, que vê sua mão-de-obra valorizada, quanto a empresa, que aumenta sua competitividade no mercado de trabalho'', disse o presidente do sindicato, Sérgio Butka.
A fábrica da Renault tem 5.700 trabalhadores diretos e tem capacidade para fabricar 224 mil carros por ano.
A FOLHA não conseguiu contatar representantes da montadora no início da noite de ontem.

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