Agência Estado
De São Paulo
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, informou ontem que os metalúrgicos dos sindicatos ligados à entidade devem entrar em greve a partir do dia 9 de novembro caso não seja fechado acordo com os grupos patronais até o dia 29. A indicação de greve foi aprovada ontem por representantes de 44 sindicatos em reunião na sede da Federação dos Metalúrgicos de São Paulo.
‘‘Apresentamos nossas reivindicações há mais de um mês e até agora não houve contraproposta’’, disse Paulinho. ‘‘Eles estão nos enrolando.’’ Os metalúrgicos, com data-base em 1º de novembro, reinvindicam, entre outros ítens, aumento salarial de 15%, redução da jornada de trabalho, seguro-desemprego privado, participação nos lucros e piso salarial de R$ 500,00.
O sindicalista observou que a categoria está mais exigente na campanha deste ano. ‘‘Os trabalhadores estão querendo mais e os empresários querem dar menos’’, afirmou Paulinho. Os metalúrgicos da Volkswagen de São Bernardo do Campo, por exemplo, querem receber um abono de R$ 1.200 no final do ano, além do pacote oferecido pela empresa, que inclui reajuste de 10,5%, PLR (participação nos resultados) de R$ 2.100 – diluído em 12 meses – e redução da jornada semanal para 40 horas. Caso a direção da montadora não abra negociação até a próxima quarta-feira, haverá uma greve na maior fábrica de carros do País, segundo decidido ontem numa plenária com 300 trabalhadores.
A mobilização dos metalúrgicos da Volks por um abono foi deliberada um dia depois de a proposta da Volkswagen ter sido rejeitada em assembléia, um resultado que surpreendeu não apenas à empresa, mas aos próprios sindicalistas. ‘‘O sentimento da militância era de que a proposta seria aprovada, mas quem decide são os trabalhadores em assembléia’’, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, um dia depois de ter sido alvo de um ovo, lançado durante a assembléia.
Marinho demonstra não dar importância ao ovo, que não chegou a atingí-lo: ‘‘Vamos identificar quem está fazendo isso; não é a peãozada’’, destacou. Quem está por trás da oposição ao pessoal da tendência chamada Articulação – que comanda o sindicato – são militantes do PSTU, uma das alas mais radicais integradas à CUT e ao PT.

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