Metalúrgicos criticam condições de trabalho
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quinta-feira, 30 de março de 2006
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Representantes do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) afirmaram ontem que esperam que o governo do Estado tome providências para que as fábricas das montadoras Volkswagen-Audi, Renault e Volvo na região da capital paranaense melhorem as condições de trabalho. Os sindicalistas disseram que, se não houver resposta do governo, eles montarão acampamento em frente ao Palácio Iguaçu na segunda-feira.
De acordo com o SMC, na região de Curitiba há atualmente 450 funcionários da Volkswagen-Audi, 138 da Renault e 11 da Volvo com problemas de saúde relacionados ao trabalho. No segundo semestre do ano passado, foi criada uma força-tarefa para investigar as condições de trabalho nas três montadoras. O grupo é formado por representantes do SMC, das secretarias estaduais de Saúde e do Trabalho, da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo o sindicato, a investigação apontou diversos problemas nas empresas, como falta de equipamentos de segurança, carência de ações terapêuticas e falhas no sistema de trabalho. O governo do Estado propôs um termo de ajuste de conduta para melhoria das condições, mas as montadoras se recusaram a assinar.
O sindicato quer que as autoridades envolvidas na força-tarefa busquem soluções práticas para os problemas dos trabalhadores. ''Acho que está faltando coragem. Os governantes têm que entender que precisam assumir responsabilidades'', afirmou o diretor do departamento de saúde do SMC, Núncio Mannala. Os sindicalistas fizeram críticas à DRT e ao INSS.
''Por exemplo, a DRT é avisada sobre um problema, vai à montadora, verifica que há excessos na jornada de trabalho. Aí, multa a empresa, para quem o valor (da multa) é irrisório, e fica tudo por isso mesmo. As condições de trabalho continuam as mesmas'', disse Mannala. Quanto ao INSS, os sindicalistas apontaram que o órgão na maioria dos casos concede aos metalúrgicos apenas o benefício do auxílio-doença comum, mesmo em situações em que o funcionário está com lesões graves relacionadas ao trabalho.
O metalúrgico Jocel Guedes está afastado há cerca de dois anos do serviço. ''Tenho tendinite nos ombros e nos pés e sofri de estresse depressivo. Estou com alta programada para o dia 11 de abril, mas ainda sinto muitas dores'', explicou o funcionário. Guedes afirmou que sua esposa também trabalhava como metalúrgica e foi demitida logo depois que recebeu diagnóstico de lesões que estariam relacionadas ao trabalho.


