MONTADORAS DO PARANÁ Metalúrgicos contestam nacionalização Estudo do Dieese aponta ‘‘desinteresse’’ no aumento da mão-de-obra, má remuneração e carga horária excessiva Arquivo FolhaMÃO NA MASSAA Renault foi a montadora paranaense que mais produziu e vendeu em 99: 17.758 carros comercializadosArquivo FolhaButka, do Sindicato dos Metalúrgicos: ‘Só empregos menos qualificados’ Carmem Murara Curitiba O Sindicato dos Metalúrgicos e o Dieese apresentaram ontem um estudo que traça o balanço dos dois primeiros anos de atividade das montadoras no Paraná. Na avaliação das duas entidades, Renault, Chrysler e Volkswagen/Audi não estão interessadas em ampliar o índice de nacionalização da produção, que hoje gira entre 55% e 80%, dependendo da empresa. Os percentuais são contestados pelos sindicalistas, que reclamam ainda da má remuneração e da carga horária excessiva dos trabalhadores. O diretor do sindicato Núncio Manala diz que as montadora preferem importar os componentes para garantir a manutenção de emprego nas fábricas européias a estimular a produção nacional. ‘‘Eles querem manter a estrutura para os trabalhadores de fora’’, disse Manala, ao acusar as fábricas de manter um alto número de funcionários estrangeiros nas fábricas instaladas na Região Metropolitana de Curitiba. A Renault chegou a ter 400 trabalhadores franceses em São José dos Pinhais, durante o período de instalação, mas hoje reduziu para 100. Já a Audi mantém maior número de alemães em seu quadro funcional. Seriam 400 estrangeiros, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos. Eles receberiam salários mais altos e ocupariam cargos mais elevados em relação aos brasileiros. ‘‘Para nós sobrou os empregos menos qualificados’’, reclamou o presidente do sindicato Sérgio Butka. O salário médio na Volkswagem, por exemplo, é de R$ 629 na área operacional e de R$ 2.403, na área administrativa. Segundo a pesquisa feita pelo Dieese com base nas informações dadas pelas montadoras e Cadastro Geral de Emprego e Desemprego, 40% dos trabalhadores da Renault e Audi e 10% dos metalúrgicos da Volvo recebem o piso salarial. A produção das montadoras foi de 48.281 carros, caminhões e ônibus, enquanto a venda ficou em 36.910 unidades, no ano passado. O volume de carros, que saíram da linha de montagem, representou 3,6% da produção nacional. A Renault foi a que mais produziu e vendeu entre as fábricas paranaenses, com 17.758 carros comercializados. O que mais preocupa os sindicalistas é o volume de empregos gerados em relação à produção. A pesquisa feita pelo Dieese mostra que foram abertos 5.419 postos de trabalhos no setor automotivo entre janeiro de 1997 e dezembro de 99. A fabricação de carros destacou-se com a geração de 4.364 empregos, que representam 80% do total. O restante ficou a cargo das fornecedoras.

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