Metalúrgicos aprovam a proposta da Volks
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de outubro de 2003
Cleide Silva<br> Agência Estado 
São Paulo - Com aprovação de 75% dos cerca de 12 mil funcionários da Volkswagen que participaram ontem de assembléia em São Bernardo do Campo (SP), a empresa teve o aval para iniciar o programa de reestruturação que eliminará 1.923 vagas na fábrica 13% do efetivo atual. O programa era negociado há mais de dois meses. A partir de agora, eles vão escolher se ficam em casa em licença remunerada até o fim de 2006, se aderem ao programa de demissão voluntária e recebem 20 salários extras e mais 40% de abono por ano trabalhado, ou se vão para o centro de treinamento e, depois, para a Autovisão, empresa de recolocação profissional.
A Volks, que por 42 anos liderou o mercado nacional de automóveis e hoje está na terceira posição, quer cortar outros 2.010 postos na fábrica de Taubaté, 30% do total. Ainda não houve acerto com o sindicato dos metalúrgicos e as partes voltam a negociar na próxima semana. Nesta unidade, os funcionários têm estabilidade só até fevereiro de 2003 e a montadora ofereceu bolsa de estudos por um ano, de até R$ 1,2 mil por mês, aos indicados para deixar a fábrica. No ABC, a oferta é melhor porque o acordo de estabilidade vence em novembro de 2006.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijóo, afirmou que a empresa ''foi obrigada a recuar da posição inicial de impor sua proposta'' e ofereceu opções aos trabalhadores. Segundo ele, a entidade agirá em parceria com a Volks para criar a Autovisão. Ele disse que, pessoalmente, escolheria participar do projeto. Mas a Comissão de Fábrica calcula que mais de 600 trabalhadores deverão aceitar o PDV, principalmente aposentados ou quem está prestes a se aposentar.
Um deles é o ferramenteiro Sérgio Luiz Gonçalves, 47 anos, há 17 na Volks. Aposentado, ele diz que ''não quer mais bater cartão''. Inicialmente, vai aplicar o dinheiro que receber e, depois, buscará uma nova atividade. O controlador de materiais José Bráz da Silva, 23 anos de Volks, prefere ficar em casa, recebendo o salário: ''Depois de ter recebido a carta e ter sido tachado de excedente, não há mais clima para ficar na fábrica.'' Pai de 7 filhos, o mais novo com dois meses, ele disse que vai tentar fazer alguma coisa extra nesse período, como ''vender cachorro-quente ou churrasquinho, só para não ficar parado''. Com salário médio de R$ 1,9 mil, Silva estava no grupo de 3 mil trabalhadores que, em 2001, recebeu em casa carta de demissão depois revogada.
A direção da Volks apenas divulgou nota em que afirma estar certa de que o plano de redimensionamento dará à empresa ''novo vigor, transformando-a, num futuro muito próximo, na empresa automotiva mais ágil, inovadora, global e rentável do Brasil''.


