Metalúrgicos aprovam 1 greve do governo Lula
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domingo, 23 de março de 2003
Agências Estado e Folha 
São Paulo Os metalúrgicos de São Paulo, ligados à central Força Sindical, aprovaram ontem o início de um movimento grevista a partir de quarta-feira, com a paralisação inicial de 40 fábricas na capital. Caso seja deflagrada, esta será a primeira grande greve no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ex-líder metalúrgico. A greve foi aprovada durante o 10º Congresso dos Trabalhadores Metalúrgicos de São Paulo, realizado no ginásio do Ibirapuera durante dois dias.
A categoria reivindica a reposição salarial de 10% para compensar a inflação acumulada a partir de novembro, data-base dos trabalhadores. Eles prometem realizar paradas diárias em grupos de empresas, pretendem mobilizar os 280 mil metalúrgicos da capital e estender o movimento para todo o Estado de São Paulo, onde a categoria possui outros quase 500 mil trabalhadores.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Mogi das Cruzes e Região, Eleno José Bezerra, afirmou que, em novembro passado, a categoria teve reajuste de 10,26%, mas ''em quatro meses a inflação já levou isso''. Ele destacou que os trabalhadores de São Paulo ainda sofrem com os aumentos das taxas municipais, como do lixo e da iluminação pública.
A paralisação foi apontada pela categoria como último recurso, pois as negociações com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) não surtiram efeito. O sindicato promete notificar todas as empresas nesta segunda-feira, mas não adiantou por quais delas o movimento deve começar. ''Escolheremos aquelas que estão em melhores condições, de preferência exportadoras e sem estoque'', disse o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.
Ele negou que o movimento seja político. ''Isso não tem nada a ver com o governo. É um pleito salarial'', disse. Na opinião de Paulinho, a reposição inflacionária neste momento ''contribuirá com o governo'', pois evitará um reajuste em índices bem maiores por ocasião da data-base. ''No ritmo que está (a inflação), chegaremos a novembro com perda de 25% a 30%. Só na Força Sindical são três milhões de trabalhadores com data-base em novembro'', explicou.


