Metalúrgicos ameaçam tomar fábricas e manter produção
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de dezembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
France Presse
Sebastião Moreira/AE
Por trabalhoMetalúrgicos no Paço Municipal de São Bernardo do Campo protestam contra as demissões das montadoras; na foto superior, Lula: lançando desafio
Milhares de metalúrgicos do ABC decidiram ontem não trabalhar no período da manhã e engrossaram quatro passeatas, que saíram das montadoras de veículos rumo ao Paço Municipal de São Bernardo do Campo (SP), onde houve ato público contra o desemprego e a política econômica. Eles formaram a palavra emprego com seus corpos, no início da manifestação.
O ato é o início da reação da categoria contra ameaças de demissões. O próximo passo pode ser acampamento ou tomada do controle das empresas que fizerem cortes. Se a Volkswagem demitir os 10 mil empregados que considera excedentes, de um total de 23 mil, ou reduzir salários de todos em 20% como propôs, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC vai organizar acampamento no acostamento da Via Anchieta, em frente à fábrica. Ou tomar a empresa e continuar produzindo com a totalidade de empregados, à revelia da direção.
A informação foi dada pelo do diretor sindical e funcionário da empresa, Geovaldo Gomes dos Santos. Podemos organizar um imenso acampamento em apenas um dia, para chamar a atenção da sociedade, disse. Quanto à eventual tomada da Volkswagen, opção menos cotada segundo ele, também não apresentaria problemas. A experiência já foi feita - com sucesso - na Volkswagen Caminhões no final da década passada, também como reação à demissões, de acordo com ele.
O presidente do Sindicato, Luiz Marinho, não confirmou a informação, mas chegou a fazer uma consulta entre os empregados da empresa ontem pela manhã, antes da passeata: disse que queria saber quantos ali presentes tinham barraca e gostavam de acampar. Terça-feira ele voltará a se encontrar com a direção da Volkswagem para buscar saídas que evitem demissões.
Todos os sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e políticos do PT que participaram do ato fizeram a mesma exigência: a de que o presidente Fernando Henrique interfira nas negociações com as empresas que ameaçam demitir em massa. Para eles, sem mudanças na política econômica - especialmente na taxa de juros -, o desemprego poderá atingir 2 milhões de trabalhadores na Grande São Paulo já em março. Hoje, existem 1,4 milhão de desocupados, segundo Dieese.
A Polícia Militar calculou em 20 mil o número total de manifestantes. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC calculou em 30 mil.


