Caso a Ford não suspenda as 2,8 mil demissões anunciadas sexta-feira - quase a metade do efetivo da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) - e se recuse a abrir negociações com os trabalhadores, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC vai reuni-los (demitidos ou não) para discutir reações possíveis. ‘‘Greve, neste caso, é pouco’’, ameaçou o presidente do sindicato, Luiz Marinho, durante manifestação em defesa do emprego e da produção, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Os metalúrgicos da Ford têm tradição de confronto com a empresa. Nos anos 80, eles fizeram a chamada ‘‘operação cambalacho’’, que tinha por objetivo interferir na qualidade dos veículos da marca ainda na linha de montagem.
No início dos anos 90, uma greve causou a demissão de algumas lideranças sindicais. A reação às demissões foi violenta. Por dias seguidos, os operários transformaram a empresa em praça de guerra, destruíram carros e escritórios.
Marinho não adiantou se desta vez os metalúrgicos estariam dispostos a resistir, ultilizando a violência, como em anos anteriores. Segundo o sindicalista, é preciso esperar o retorno dos empregados, no dia 4 de janeiro, para avaliar o clima de mobilização. Ele também espera que até lá a Ford, que está demitindo por telegrama, opte pelo diálogo. Para o secretário-geral do sindicato, Carlos Alberto Grana, a reação dos empregados é ‘‘imprevisível’’. Ninguém na Ford deu entrevistas até ontem.

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