Curitiba A fábrica da Renault, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, voltou a funcionar ontem de manhã, após seis dias de greve dos 2,5 mil funcionários. Os trabalhadores aceitaram a proposta da empresa, que prevê abono de R$ 500,00, reposição da inflação anual em setembro, próxima data-base da categoria, e redução da jornada de trabalho das atuais 42 horas semanais para 41 em setembro e 40 em março de 2004, sem prejuízo salarial.
A negociação entre a Renault e o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba foi mediada pelo governo estadual, em decorrência de liminar que autorizava a montadora a usar força policial para dispersar os sindicalistas da porta da fábrica, atitude proibida pelo governador Roberto Requião (PMDB). A Volvo, outra montadora que sofreu com a greve e até recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT), entrou em acordo com os trabalhadores após dois dias de paralisação. O processo foi arquivado.
O abono de R$ 500,00 será pago a todos os trabalhadores da Renault no próximo dia 30. A empresa também vai reajustar os salários em setembro na forma de cascata. Até um teto de R$ 2 mil, será pago 100% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC); entre R$ 2.001,00 e R$ 2.500,00, será aplicado 100% do INPC sobre o teto de R$ 2 mil e 70% do INPC sobre o R$ 500,00; para os salários superiores a R$ 2,5 mil, o mesmo benefício da faixa anterior e 50% do INPC para o valor excedente.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka, a redução de jornada estava em negociação havia três anos. Segundo o presidente da Renault, Pierre Poupel, os detalhes da medida precisam ainda de acerto com os trabalhadores. ''Isso não é um assunto para hoje'', afirmou. Ele não confirmou se haverá redução de produção.

mockup