Edu Garcia/Agência Estado
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Sem conversaAssembléia de funcionários da Ford, que se reuniram para avaliar as propostas da direção do grupo para evitar a demissão de 1.100 trabalhadores: bolsão é ‘‘inegociável’’O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC não vai sequer negociar a criação do bolsão na fábrica da Ford de São Bernardo do Campo. A empresa detalhou ontem para a comissão de fábrica - a representação interna dos funcionários - o sistema que pretende implantar para tirar da produção os 1,1 mil funcionários considerados excedentes, diante do desaquecimento do mercado. A proposta foi qualificada como ‘‘inegociável’’ e nem mesmo foi levada para votação dos 7 mil empregados, que realizaram assembléias ontem na entrada dos turnos.
A montadora sofreu queda de quase 30% nas vendas nos primeiros 20 dias do mês. Por isso, e pelo mau desempenho também em dezembro, quer afastar os excedentes por cinco meses. No primeiro, eles receberiam, mesmo sem trabalhar, 80% do salário, com redução gradual nos meses seguintes: 70%, 60%, 50% e 50%. ‘‘Mas o pior é que metade do valor é considerada empréstimo: se no final do período o trabalhador for demitido, o dinheiro será descontado na rescisão contratual’’, explicou o secretário da comissão de fábrica, João Rodrigues.
Rodrigues afirmou que a negociação na Ford deve ser mais dura do que a da Volkswagen. Além da idéia de bolsão, segundo ele repudiada pelos empregados, a Ford foi mais longe nas propostas de redução de custos com pessoal. Quer, por exemplo, cancelar aumento de 3% previsto para março, que a Volkswagen concordou em pagar, apesar de ter maior número de excedentes e necessidade comprovada de reestruturação.
Também está incluída na proposta de 27 itens da montadora diminuição do valor de benefícios - como participação nos lucros, pagamento de horas-extras, de adicional noturno -, cancelamento de promoções, corte de parte do subsídio para alimentação, transporte e plano de saúde etc. ‘‘Já tivemos quatro reuniões com a direção da Ford, contando a de hoje, e nada está avançando’’, disse Rodrigues.
O sindicato marcou para sábado uma plenária para discutir o futuro da negociação. A próxima está marcada para terça-feira. O gerente de Recursos Humanos da montadora, Valter Trigo, disse há três dias que esperava fechar acordo já na semana que vem. Para Rodrigues, dificilmente um acordo sairá rapidamente.

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