As demissões na indústria metalúrgica aumentaram quatro vezes no mês de dezembro. Os dados foram fornecidos ontem pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Região Metropolitana de Curitiba. O sindicato informou que homologou uma média de 20 demissões diárias nas primeiras semanas do mês passado. No mês de novembro, houve entre cinco e seis rescisões contratuais por dia. O Sindicato dos Metalúrgicos atribiu o aumento das demissões ao pacote econômico.
O Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalmecânica e Materiais Elétricos do Paraná (Sindimetal) discorda dos trabalhadores. O presidente do Sindimetal, Élcio Rimi, disse que é ‘‘precipitado’’ atrelar os cortes à crise econômica. ‘‘É muito cedo para a gente dizer que as demissões são frutos do pacote baixado em novembro’’, avaliou.
Ele atribiu os desligamentos ao período de baixa atividade industrial. No final do ano, há uma redução das vendas em todo o setor metal-mecânico. O segmento só volta a ter vendas aquecidas a partir de março. As indústria que fabricam autopeças sofreram queda nas vendas por causa da crise que atingiu as montadoras em São Paulo. Muitas empresas paranaenses são fornecedoras das indústrias paulistas.
Rimi acredita que somente a partir do próximo mês vai ser possível fazer uma avaliação dos reflexos das medidas econômicas. Mas um dos efeitos da queda nas vendas pôde ser verificado no número de empresas que concederam férias coletivas. Segundo o secretário geral do Sindicato dos Metalúrgicos, Cláudio Gramm, 50% das cerca de 2,5 mil empresas deram férias coletivas aos funcionários. Algumas como a Volvo e a Electrolux ampliaram o período de folga em uma semana ou 10 dias. Os trabalhadores destas duas fábricas estão retornando ao trabalho ao longo da semana.
O Sindicato dos Metalúrgicos disse que se o ritmo das demissões aumentar será necessário negociar medidas alternativas com as indústrias. ‘‘Defendemos a redução da jornada de trabalho como uma saída para evitar mais demissões’’, afirmou o diretor do sindicato Gerson Luiz Vuicik. Até agora, nenhuma empresa da Região Metropolitana de Curitiba aceitou reduzir a carga horária de trabalho.

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