Metalúrgicas deixam de comunicar acidente de trabalho ao sindicato
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quarta-feira, 16 de julho de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Kraw PenasJustificativaJurandir Resende, técnico de segurança da Brafer: problemas de comunicação interna na empresaA Delegacia Regional do Trabalho (DRT) iniciou ontem uma série de audiências com as empresas do setor de metalurgia da Região Metropolitana de Curitiba. A intenção é convencer os empresários a seguir corretamente as normas trabalhistas, que obrigam as empresas comunicar o sindicato da categoria em caso de acidente no trabalho. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, apenas oito das 2,3 mil fábricas fazem a comunicação regularmente.
As audiências na DRT foram solicitadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos, que pretende reverter a situação. Hoje, o setor da metalurgia é o segundo maior responsável pelos acidentes de trabalho. A construção civil ainda lidera o ranking das profissões com maior número de acidentes.
Dados do Ministério do Trabalho mostram que houve 11,3 mil acidentes na Região Metropolitana de Curitiba, em 1995. Deste total, 7,5 mil foram apenas na capital. O município de Osasco (SP), que tem o mesmo número de habitantes de Curitiba, registrou 5 mil acidentes de trabalho no mesmo período.
O diretor de saúde do Sindicato dos Metalúrgicos, Núncio Manala, disse que em 95 houve 1,1 mil acidentes na metalurgia. Os números são grandes, mas o maior problema é que muitas vezes o trabalhador não é atendido como se deve, afirmou. Ele cobra das empresas a notificação dos casos para o sindicato.
Na primeira audiência na DRT, foram convocadas 30 empresas. Entre elas, havia algumas que já estão fazendo a comunicação. Uma delas é a Maclínea, que há duas semanas começou a enviar os dados sobre acidente de trabalho, ao sindicato. Não fazíamos antes porque nunca foi exigido a entrega do documento, afirmou o supervisor de Recursos Humanos, Valmir Batista.
A mesma situação da Maclínea acontece com a Brafer Construção, que ainda não está seguindo as normas trabalhistas. O nosso compromisso é legalizar a situação o quanto antes, afirmou o técnico em segurança Jurandir Rezende. Ele disse que a empresa não seguia as normas por falta de comunicação dentro da própria Brafer. Com 350 funcionários, a metalúrgica registra 20 acidentes a cada trimestre.


