Metalúrgica reanima desempregados
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de junho de 1998
Cláudia Lopes 
Josoé de Carvalho
ConfiançaCursos específicos do Senai atraem pessoal da área ligada à metalurgia e também gente de outras atividades. Na foto inferior: George quer encontrar uma saída mudando de profissão Centenas de desempregados que frequentam cursos no Senai de Londrina desde fevereiro deste ano acreditam que irão mudar suas vidas se forem contratados pela Beta-Sul, subsidiária da Elevadores Atlas. Muitos deles perderam seus empregos há um ano e nos últimos meses preencheram fichas em várias empresas e agências londrinenses atrás de uma colocação.
Ângelo Guariso, um ex-metalúrgico que chegou a exercer cargo de encarregado de produção, está desempregado há 1 ano. Casado e pai de um casal de crianças - de 10 e 12 anos - passou a morar na casa da mãe há oito meses por não ter condições de arcar com o pagamento do aluguel. Se não fosse minha mãe, estaríamos passando fome, diz.
Me sinto impotente. Tenho vários cursos, 2º grau incompleto, experiência na área mas não consigo a chance de mostrar minha capacidade. Não sou chamado nem para testes, reclama. Talvez porque esteja próximo dos 40 anos. Mesmo assim estou apostando todas as fichas neste curso do Senai, diz ele, que frequenta as salas de aula e oficinas há três meses. Sua esposa, que era dona de casa, também está em busca de emprego.
Manoel Messias Ultramar, 44 anos, é outro que tem esperanças de ser contratado pela Beta-Sul. Lá em casa tivemos que reduzir 40% das despesas há 1 ano, desde que meu filho de 20 anos, minha filha de 16 e eu perdemos os empregos, diz. Minha esposa é diarista, mas o serviço dela também caiu pela metade, conta ele. Segundo Ultramar, a prestação de sua casa popular está atrasada há dois meses.
O ex-operador de máquinas Celso Janneck da Silva, 44 anos, está desempregado há 90 dias. Ainda não entrei em pânico porque estou recebendo o seguro desemprego, diz. Com um casal de filhos, ele paga aluguel de R$ 330 por mês. De vez em quando consigo um bico, fazendo coifas.
Sem emprego há 1 ano, Valter Carlos Pereira, 32 anos, acredita que ainda não conseguiu nenhuma colocação por falta de especialização. A maioria das empresas está exigindo certificados. Foi por isso que vim para o Senai. Tenho confiança que vou arranjar alguma vaga depois que terminar este curso, diz ele, que é casado e tem um filho. Minha família está sobrevivendo do salário da minha esposa, que é doméstica e ganha R$ 130 por mês. Em seu emprego anterior, Pereira trabalhava como mecânico de manutenção.
PuxadoGeorge Franco Antunes, 20 anos, não tem família para sustentar, mas reclama de não ter dinheiro nem para cortar o cabelo. Desempregado há seis meses, ele diz viver da ajuda dos pais. Mas como eles estão construindo uma casa, também estão apertados financeiramente. Antunes era arte finalista e resolveu fazer o curso em busca de uma nova profissão. Até agora não consegui nada porque não tinha capacitação e nem carteira assinada.
O pedreiro José Antonio da Silva, 34 anos, está trabalhando na construção da Beta-Sul, que termina em setembro. Para tentar continuar na empresa como metalúrgico, ele começou a fazer o curso há três meses. Acordo às 5h30 e trabalho como pedreiro das 7h às 16h. Depois do curso, chego em casa às 24 horas. Até deitar, já é 1 hora. O ritmo é puxado mas acredito que valerá a pena, diz Silva, que tem 2º grau incompleto e já trabalhou como metalúrgico em São Paulo. Virei pedreiro por falta de opção.


