Conquistar espaço na indústria metalúrgica não é tarefa simples para os pequenos empresários. O maquinário de valor elevado e a exigência de um número grande de funcionários podem assustar os que pretendem ingressar no setor. Entretanto, uma pequena empresa londrinense vem conquistando clientes das mais diferentes áreas com um ramo da metalurgia pouco explorado no País: a estamparia química.
O processo - também conhecido como fotocorrosão - tem a capacidade de cortar e gravar peças metálicas pequenas (em aço, cobre e latão) e de alta complexidade geométrica, com baixos custos de produção e sem quantidade mínima por cliente. ''Muitas empresas nos procuram para produzir peças únicas, para alguma máquina, por exemplo. Para fabricar pelo corte convencional, através de uma matriz, o valor seria bem maior'', explica Anderson Encinas Gonçalves, proprietário da Coquimetal.
Segundo Gonçalves, apenas duas empresas trabalham no ramo da estamparia química no Paraná. Há cinco anos com a indústria, ele conheceu o processo quando trabalhava em uma empresa que produzia bijouterias, brindes e etiquetas metálicas. ''Achei que a produção de peças técnicas, de eletrônica e eletromecânica seria interessante. Por exemplo, um pequeno disco de pulso para uma máquina que produz remédios ou palhetas usadas em compressores de refrigeração. São peças importadas que conseguimos replicar por aqui sem problemas. O cliente acaba ganhando tempo e dinheiro.''
Outra vantagem deste processo químico na confecção das peças é a agilidade na qual é possível reproduzí-las. Enquanto um projeto e produção de uma matriz demoram por volta de 90 dias, a estamparia química leva apenas 72 horas. ''Dependendo de como a peça for produzida, ela pode ficar deformada ou com rebarbas. Neste caso, seria necessário passar por uma usinagem'', avalia o empresário.
Já no ramo da eletrônica é comum profissionais técnicos do setor criarem projetos, mas não conseguirem implantá-los no mercado devido ao alto custo na compra de aparelhos. O pessoal acaba vendendo suas ideias para grandes empresas do setor. Muitos destes equipamentos são produzidos por meio da estamparia química, como placas de circuito interno (PCI), paineis e contatos eletrônicos. ''A grande maioria dos empresários que atuam neste segmento desconhece o processo de fotofabricação e nem o procuram.'' relata Gonçalves.
Apesar do processo parecer limitado a pequenas peças metálicas e pouca quantidade, quem vislumbra produzir em maior escala também pode ter vantagem no setor. Como os projetos são criados de forma eficiente, é possível testar a peça antes de enviá-la a uma metalúrgica convencional. ''Os projetos geralmente não dão certo na primeira tentativa, é interessante fazer em menor escala até que se acerte o que quer. Depois, é só mandar para uma indústria maior sem medo do resultado final'', completa Anderson Gonçalves.

SAIBA MAIS

Conheça a estamparia química
Podem ser utilizados todos os tipos de aço, latão e cobre
Possível trabalhar com peças de 0,1 milímetro (mm) a 2mm de espessura e
dimensões de 670 por 1000 mm
Peças sem deformação da estrutura
e sem rebarbas no final do processo
Curto prazo para entrega do material pronto
Fotocorrosão pode ser trabalhada com pequena quantidade de peças
Fonte: Anderson Gonçalves

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