Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itambé, Solange Ferreira da Silva, 50% dos trabalhadores que atuam no corte de cana-de-açúcar hoje optariam por outra ocupação se tivessem oportunidade. Ela adverte, no entanto, que é necessário que o poder público invista em capacitação para que os bóias-frias possam buscar o sustento com outra profissão.
Hoje, os cortadores de cana são contratados por duas usinas, em São Pedro do Ivaí e Jandaia do Sul. Mas os trabalhadores que não atingem uma média de seis toneladas cortadas por dia são dispensados. A saída, então, é trabalhar sem vínculo empregatício. Hoje, perto de 150 estão nessa situação. Por isso, é comum que os desempregados do campo busquem oportunidades em outras cidades ou estados, como Mato Grosso e Goiás. Outra particularidade do corte de cana é a possibilidade de aposentadoria mais cedo: 60 anos para os homens e 55 para as mulheres.
Um dos principais atrativos que mantêm os trabalhadores na lavoura é a oportunidade de ganhar até R$ 1,5 mil por mês no corte de cana. A diária é de R$ 17,00 para quem não consegue superar as metas. A perspectiva, porém, não é nada boa, na opinião de Solange da Silva. O predomínio do maquinário, o que deve passar a ocorrer do final da década de 2010, resultará em grandes índices de desemprego. Apenas um equipamento, revela a presidente do sindicato, tira o emprego de cem trabalhadores. ''Hoje, (a saída) seria a prefeitura investir um pouco mais em capacitação e dar oportunidade também para que outras indústrias e fábricas viessem para o nosso município'', opina.(F.R.F)

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