Metade dos brasileiros ainda recebe em dinheiro, segundo BC
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sábado, 05 de julho de 2014
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
Metade da população economicamente ativa (PEA) do Brasil recebe salários ou pagamentos em dinheiro, segundo a pesquisa "O brasileiro e sua relação com o dinheiro", do Banco Central, divulgada essa semana. A maior parte dos entrevistados que está nessa situação é jovem ou tem baixa renda, o que significa que tratam-se de prestadores de serviço, pequenos empreendedores ou trabalhadores informais, segundo analistas ouvidos pela FOLHA.
A quantidade, no entanto, caiu de 54% em 2010 para 51% em 2013, segundo o BC. Outros meios de pagamento mais comuns são depósitos em conta corrente e poupança, que foram de 39% para 27% entre os dois períodos, e em cheque, que foi de 2% a zero. No entanto, entre os que recebem pagamentos por meio de depósitos em bancos, a maioria que faz retirada em caixas eletrônicos está nas classes A e B.
Para o delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) em Londrina, Laércio Rodrigues de Oliveira, os índices mostram que o pagamento em dinheiro está relacionado ao tipo de renda e ao acesso dos trabalhadores ao sistema bancário. Ele cita que grande parte da PEA são pessoas que estão na informalidade ou que são pequenas empreendedoras. "Quem trabalha por conta própria na construção civil, por exemplo, costuma receber em dinheiro por uma reforma", afirma.
O diretor executivo do Datacenso e consultor da Associação Comercial do Paraná, Claudio Shimoyama, concorda com a tese, mas vê uma redução do uso da moeda em espécie. "Como aumentou o número de registros em carteira nos últimos anos, houve queda de 54% para 51% nos pagamentos do dinheiro", cita.
Ele acredita que boa parte das pessoas de baixo poder aquisitivo não tem conta bancária, mas que alguns bancos criam modelos de conta para incluí-los no sistema. Por isso, considera crescente a utilização dos cartões como uma forma de pagamento, principalmente no comércio. "Até mesmo as pequenas padarias já contam com máquinas de cartões", diz.
Oliveira considera, porém, que as contas bancárias não são acessíveis ou práticas para muitos dos trabalhadores. "Existem taxas de manutenção de contas e os cartões cobram percentuais em pequenos pagamentos, então não compensa para eles", lembra.
Conforme o BC, houve queda no número de brasileiros com posse de cartões bancários entre 2010 e 2013. A fatia de pessoas com cartão de crédito passou de 43% para 39% entre os dois anos e as com o de débito, de 43% para 35%. "Vejo uma relação também com a inadimplência, porque as pessoas com nome sujo acabam sofrendo restrições ao acesso a cartões", afirma o delegado do Corecon.
Para o diretor do Datacenso também pode significar que as pessoas de baixa renda, depois do boom do acesso ao crédito, ficaram mais atentas às taxas. "Com o crescimento da inadimplência, pode ser que ocorra uma redução no número de cartões por pessoa, mas é preciso entender que esse meio de pagamento tem sido cada vez mais usado", argumenta.


