Rio - Apenas metade das empresas criadas em 1997 continuou funcionando oito anos depois, em 2005. A conclusão é de uma pesquisa Demografia das Empresas, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O mesmo trabalho mostra que a maior parte (62,5%) das empresas no País tem menos de dez anos de existência. Do total, 2,9% das empresas resistem há três décadas ou mais do que isso.
O trabalho mostra que das 738 mil empresas criadas há dez anos, 51,6% chegaram a 2005 em atividade. A maior parte da redução aconteceu no primeiro ano de vida destas companhias: apenas 81% delas ainda funcionavam em 1998. Nesse período, as empresas de maior porte (com mais de 100 empregados) foram as que mais tempo resistiram, com 58% ainda ativas ao fim do período. A menor taxa de sobrevivência (46,5%) foi na Região Sul e a maior (53,8%), na Norte.
O ex-secretário de Política Econômica Julio Sergio Gomes de Almeida atribui às constantes oscilações do crescimento do País a principal causa da elevada mortalidade de empresas no Brasil no período analisado pelo IBGE. ''Nesse período todo, não houve dois anos de crescimento forte seguidos. Houve muita variação entre períodos ruins e bons de crescimento. Isso dificulta a sobrevivência das empresas'', afirma Gomes de Almeida.
O economista também pondera que o total de empresas fora de atividades poderia ter sido ainda maior, perto dos 60%, caso as medidas adotadas pelo governo não tivessem sido tomadas, como a estruturação do Super Simples, que engloba a unificação de impostos para micro e pequenas empresas. Para ele, a perda de empresas ativas em 2007 tende a ser menor, porque a economia está crescendo num ritmo mais acelerado.
Do grupo de empresas com mais de 30 anos de existência, o comércio responde por 53,37%, indústria 17,66%, alojamento e alimentação 8,11% e administração imobiliária, aluguéis e serviços prestados a empresas, 7,17%, dentre outras. O instituto divulga informações sobre a demografia das empresas, por meio das estatísticas do Cadastro Central de Empresas (Cempre). Pela primeira vez, contudo, o IBGE fez estudo detalhado sobre o tema.
O Cempre inclui o cadastro de 5,7 milhões de empresas ativas em 2005. Para a análise demográfica das empresas, foram analisadas 5,094 milhões de empresas. Técnicos do IBGE explica que a mortalidade foi analisada apenas para as empresas surgidas em 1997, nos anos seguintes. Além disso, o instituto analisou o fluxo anual de entradas e saídas do mercado nos últimos anos.
Em 2005, surgiram 792 mil empresas e foram extintas 544 mil. O saldo líquido foi positivo em 248 mil empresas, comparado ao total no ano anterior. Pequenas empresas, com até quatro funcionários, predominaram tanto no grupo de empresas entrando quanto saindo do mercado. Segundo o instituto, o fluxo de entrada tem sido maior que o de saída, anualmente. Os dados mostram que a taxa de entrada no mercado em 2005 foi de 16,3% sobre o total do ano anterior, a maior desde 2002 (17%). Já a taxa de saída ficou em 11,2%, pouco acima dos 10,5% em média dos três anos anteriores.

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