Metade da frota ainda precisa ser renovada
No Brasil, 48% da frota de 500 mil tratores têm mais de 14 anos de uso, enquanto mais de 50% das 60 mil colheitadeiras já têm acima de 16 anos de operação. A informação é de Carlito Eckert, diretor da AGCO, que defende a manutenção do Programa de Renovação da Frota de Tratores e Colheitadeiras (Moderfrota) pelo período necessário para que o agricultor possa substituir os maquinários antigos e manter a competitivida de sua produção.
Para Eckert, o Moderfrota, viabilizado com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), permitiu o acesso do agricultor às ferramentas agrícolas essenciais para completar a modernização do campo. Segundo ele, a evolução agrícola se iniciou com a difusão da tecnologia do campo e, depois, com o avanço genético das culturas.
Ele ainda considera que, apesar das alterações promovidas pelo governo atual, o programa continua sendo um instrumento importante para a atualização da frota agrícola. Ao destinar R$ 800 milhões, para complementar a linha até junho, quando se encerra o ano agrícola 2002/03, o governo estabeleceu juros anuais de 9,75% para o agricultor com renda de até R$ 150 mil por ano e de 12,75% acima deste teto. Antes, as taxas variavam de 8,75% a 10,75% para renda de até R$ 250 mil e acima deste valor, respectivamente.
''Mesmo assim, o Moderfrota tem juros competitivos, ao considerar que a Selic (taxa básica de juros) está em 26,5% ao ano'', lembra Eckert.
Valentino Rizzioli, presidente da CNH, diz que o programa é a melhor opção para o produtor comprar um bem de produção, sem se expor ao risco de se descapitalizar, devido ao custo do dinheiro no mercado. E afirma que no setor rural esse tipo de investimento leva até cinco anos para dar retorno. ''É preciso considerar que o produtor tem outras despesas com a lavoura, a começar pelo plantio. Por isso, precisa de financiamento oficial, do contrário, corre o risco de se descapitalizar rapidamente'', disse, lembrando que, nos países mais desenvolvidos, 90% das vendas de maquinários são financiadas com juros de 7% a 8% ao ano e amortização entre 15 e 20 anos. Rizzioli acredita que para a próxima safra, o governo destine R$ 3 bilhões ao programa.
Em 2002, a venda total do setor de máquinas agrícolas foi de 42.654 unidades, entre tratores de rodas e de esteiras, cultivadores motorizados, colheitadeiras e retroescavadeiras, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), superando em 19,8% as 35.523 unidades negociadas no ano anterior.





