Rio de Janeiro - Uma política monetária cautelosa, com monitoramento permanente dos juros de olho na trajetória dos preços, será o caminho do Banco Central (BC) para tentar atingir a meta de IPCA de 5,1% em 2005, considerada muito ambiciosa pelos economistas. O diretor de Macroeconomia do Ipea, Paulo Levy, não acredita em aperto ''muito forte'' dos juros no ano, mas avalia que a tendência da inflação em alta vai exigir atenção do Conselho de Política Monetária (Copom), que define os juros.
As previsões para a taxa vão de 5,3% a 5,7%, sob pressão especialmente das tarifas. Como são corrigidas pelos Índices Gerais de Preços (IGPs) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as tarifas de telefone fixo e energia elétrica tendem a pressionar a inflação este ano, já que esses índices, que refletem especialmente os preços no atacado, costumam apresentar variação superior ao IPCA, que mede apenas a inflação no varejo. O IGP-DI, por exemplo, que corrige os reajustes de telefone, fechou 2004 com variação acumulada de 12,14%, bem acima do IPCA (7,6%).
O economista Luiz Roberto da Cunha, da PUC-RJ e membro do conselho consultivo de preços do IBGE, avalia que as pressões tarifárias vão continuar, mas poderão sofrer a ''concorrência'' dos serviços que, com o aumento da renda, poderão vir a pressionar a inflação. Por outro lado, caso seja prolongado o recuo do dólar, a baixa cotação da moeda tende a inibir reajustes dos produtos alimentícios.
Para Levy, o dado preocupante para a inflação em 2005 é que os núcleos (que eliminam as maiores e menores variações de preços) do IPCA mostram ao longo dos últimos meses uma tendência de alta nos preços que não cedeu em dezembro. Por outro lado, ele avalia que, assim como ocorreu no ano passado, o dólar e a safra agrícola deverão contribuir para controle dos preços.
Em 2004, segundo dados da Economática, o Brasil registrou a segunda maior taxa inflacionária (IPCA de 7,6%) entre sete países latinos, atrás apenas da Venezuela (19,18%). O levantamento da consultoria mostra que os índices de inflação foram mais baixos na Argentina (6,1%), Colômbia (5,51%), México (5,19%), Peru (3,78%) e Chile (2,43%).

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