São Paulo - A nova meta de 4,25% do PIB é perfeitamente executável, na opinião de economistas e analistas financeiros ouvidos pela reportagem.
A possibilidade de um conflito relativamente longo entre Estados Unidos e Iraque é que traria turbulências extras para o governo na condução de sua política econômica. Se isso vier a ocorrer, o governo poderia ser obrigado a elevar ainda mais a meta para o superávit primário e, aí sim, ter problemas para cumpri-la.
''A nova meta vai exigir um esforço maior, mas é exequível. Se o governo tivesse anunciado uma meta de superávit primário de 4,4% ou 4,5% do PIB geraria dúvidas no mercado quanto à possibilidade de alcançá-la. O que pode conturbar esse cenário é a eclosão de um conflito mais longo entre EUA e Iraque'', diz Aquiles Mosca, economista da ABN Amro Asset Management.
Já o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horacio Lafer Piva, disse que esperava uma meta de superávit primário menor do que a anunciada.
''Eu esperava que fosse menos, talvez 4,1% do PIB, mas era um número mágico, sem nenhum embasamento técnico, mas não tenho do que reclamar'', afirmou o presidente da entidade.
Piva disse que não pode analisar se o número é adequado ou não enquanto o governo não apresentar os dados sobre quais medidas vai adotar para cumprir o superávit primário proposto.
Ele disse, no entanto, que o governo está sinalizando que fará o ajuste fiscal por meio da redução de despesas e não do aumento de receita. ''A sociedade não aguenta mais aumento de imposto e era isso o que vinha ocorrendo.''
Para Alexandre Santana, macroeconomista da ARX Capital Management, o aumento da meta de superávit ficou dentro do esperado e ''mostra mais uma vez o comprometimento do governo com a disciplina fiscal, respeito aos contratos e com ortodoxia que também foi perseguida pelo governo anterior''. No ano passado, o governo conseguiu um superávit primário de 4,06% do PIB.

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