Meta é crescer 5% em 2007
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segunda-feira, 30 de outubro de 2006
Agência Estado 
São Paulo - Um dia após a reeleição do presidente Lula para mais quatro anos, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, reiterou que a situação econômica atual dão ao governo a convicção de que, no próximo mandato, será possível compatibilizar taxas baixas de inflação com crescimento elevado do Produto Interno Bruto (PIB). ''Não um crescimento aventureiro, mas um crescimento que nos permite crescer 5% no ano que vem'', observou.
Quanto a eventuais metas de crescimento para a economia, Genro disse que o presidente Lula, inclusive, reiterou este compromisso em seu primeiro pronunciamento após a confirmação da reeleição. ''Há uma compatibilização de metas de inflação, metas de crescimento, naquele sentido, inclusive, que o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) vinha postulando há mais de dois anos'', afirmou o ministro, numa referência a um documento divulgado pelo CDES, em agosto, em que havia uma proposta de meta de crescimento de 6% ao ano até 2022.
Indagado se, por conta da necessidade de crescimento, a taxa básica de juros passaria por cortes mais agressivos, Genro salientou que a queda na Selic deverá continuar sendo promovida ''de maneira técnica e estudada'', e não de uma maneira aventureira. ''Uma queda violenta da taxa de juros é uma coisa que poderá satisfazer dois ou três setores naquele momento, mas pode ser prejudicial mais tarde'', disse. ''O declínio da taxa de juros vai continuar sendo controlado pelo Banco Central e a queda vai será em evolução e não uma queda radical'', complementou o ministro.
Concordância - O deputado Antônio Delfim Netto (PMDB-SP) disse ontem que o Brasil pode sim crescer 5% ou mesmo 6% como vem prometendo o governo para o próximo mandato. ''Não há nenhuma razão para que isso não aconteça, desde que o Brasil saiba o que vai fazer. Essa idéia de que o Brasil não pode crescer mais que 3% é que deixou o Brasil em 3%'', afirmou em entrevista à Agência Estado.
Delfim defendeu ainda a autonomia do Banco Central (BC) ao comentar a possibilidade de que o BC volte a ser subordinado ao Ministério da Fazenda. ''O Banco Central tem que ser autônomo. É a única maneira de se exercitar a política de metas inflacionárias. A política de metas inflacionárias é um enorme avanço sobre os métodos anteriores de controle da economia.''
O deputado também se mostrou contrário à fixação de uma meta de crescimento associada a uma meta de inflação. ''É muito pouco provável que a gente possa fixar uma meta de crescimento e uma meta de inflação. Isso é uma impossibilidade lógica'', argumentou.
Segundo Delfim, a partir da fixação das despesas de custeio e do crescimento do PIB, poderá haver uma sobra para que reduza a carga tributária e para que existam as condições necessárias para queda dos juros reais. Ele vê necessidade de usar parte dessa sobra para os investimentos públicos. ''O investimento público é fundamental para o aproveitamento do investimento privado''.
Ao falar sobre juros, Delfim preferiu não avaliar se eles poderão cair mais bruscamente no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ''O juro não é uma variável que dependa da vontade das pessoas. Ele é uma variável endógena ao sistema. Você precisa criar as condições para reduzir as taxas de juros. As condições para isso são uma política fiscal ainda mais apertada, inteligente, coerente'', analisou.
O deputado, que não se reelegeu e encerra seu mandato em dois meses, mais uma vez evitou falar sobre os rumores de que poderia ocupar algum cargo no segundo mandato de Lula. ''Pergunta para mim se eu quero ir para a lua. Se você me der um foguete eu vou.''


