O governo pretende elevar a próxima safra agrícola para 100 milhões de toneladas de grãos, o que significará um aumento de 3% sobre a safra deste ano, se esta se confirmar em 97 milhões de toneladas como está sendo previsto. Esta meta deverá ser anunciada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso ao divulgar o plano de safra agrícola e pecuária 2001/2002, na próxima terça-feira, em cerimônia no Palácio do Planalto.
Para atingir este objetivo, o governo elevará os recursos destinados
à agricultura de R$ 11,2 bilhões destinados no ano passado para cerca de R$ 15 bilhões, considerando os recursos aplicados compulsoriamente pelos bancos (25% dos depósitos à vista) no setor rural. Os recursos para custeio deverão ter um aumento de cerca de 20% sobre os valores do ano passado, ou seja, passarão de R$ 6,7 bilhões para aproximadamente R$ 8 bilhões, enquanto o dinheiro para investimento que foi de R$ 3,110 bilhões deverá passar para cerca de R$ 4 bilhões na próxima safra, segundo técnicos do setor. A maior parte desses recursos será concedida aos produtores com juros fixos de 8,75% ao ano.
Custeio O governo também deverá atender a solicitação da Confederação Nacional da Agricultura e ampliar os limites de financiamento para custeio de algumas culturas e de empréstimos para alguns programas regionais. Na comercialização, serão reforçados mecanismos como o contrato de opção, instrumento pelo qual o produtor assegura o direito de vender sua produção ao governo se houver retração nos valores de mercado à época da colheita.
A divulgação do novo plano de safra estava prevista para esta sexta-feira,
mas foi adiada para a terça-feira que vem para não coincidir com o anúncio das novas medidas tributárias pela área econômica.
Além de aumentar os recursos para custeio, investimento e comercialização
da próxima safra, o governo não só vai manter como ampliar os programas regionais. ‘‘A intenção é ampliar a sustentação de programas regionais importantes para o agronegócio’’, disse um assessor que trabalhou na elaboração das medidas.
Entre os programas regionais, estão o Prosolo, Proleite e Moderfrota
(destinado a renovação de tratores e máquinas agrícolas). Para o Moderfrota estão previstos R$ 900 milhões, financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), devido a grande procura que houve no ano passado quando esta parcela foi de R$ 800 milhões.
Entre as novas linhas de crédito que o governo irá anunciar estão financiamento para aquisição de geradores - para apoiar a agricultura irrigada e outros setores que dependam muito de energia elétrica -, e a construção de armazéns diretamente nas propriedades.
Também deverão ser financiados projetos de reestruturação de frigoríficos e cultivo de flores (floricultura). Incentivo a vitivinultura, aquicultura, caprinoovinocultura, apicultura e cajucultura, também serão fortalecidos.
Café O novo plano de safra também deverá conter a programação financeira destina as lavouras de café da safra 2002/2203. No total estão previstos R$ 800 milhões, sendo que desse valor R$ 150 milhões serão procedentes de CPRs (Cédulas do Produto Rural) e o restante do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé).
Tradicionalmente esses recursos não faziam parte do plano agrícola anunciado
pelo governo entre os meses de junho e julho. Com esta mudança, o Ministério da Agricultura quer dar maior visibilidade aos recursos do setor, além de permitir que os cafeicultores possam programar melhor suas atividades.

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