O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, Benedicto Fonseca Moreira, não está otimista com relação ao desempenho das exportações brasileiras, apesar da euforia do que ele considera uma ‘‘ bolha’’ de crescimento econômico. O Brasil acertou com o FMI um superávit de US$ 4 bilhões na balança comercial brasileira, meta que dificilmente será cumprida, segundo Moreira. Na sua avaliação otimista, haverá o equilíbrio entre as importações e exportações. Na avaliação pessimista, ainda poderá haver um déficit que ele estima em até US$ 2 bilhões.
O presidente da AEB esteve ontem em Curitiba à convite do Centro de Comércio Exterior do Paraná (Cexpar), quando proferiu palestra sobre a conjuntura atual do comércio exterior brasileiro. Moreira destacou que o setor exportador brasileiro vê com preocupação a política de comércio exterior conduzida pelo ministério da Fazenda ao acionar mecanismos que restringem cada vez mais as exportações e facilitam as importações.
Moreira citou como exemplo a taxação do Imposto de Renda sobre a Promoção Comercial das Exportações; a manutenção de sigilo em torno das estatísticas de exportação e importação, que obstruem as informações para os empresários brasileiros; a manutenção dos recursos do Proex, que são os mesmos R$ 1,5 bilhão há 10 anos; a volta dos créditos do Pis e Cofins sobre as exportações; a proibição das compensações de créditos e por fim a discussão da Lei Kandir, que pode resultar no fim da isenção do ICMS sobre as exportações. Segundo Moreira, todo dia tem uma medida que simplifica as importações mas, por outro lado, muitas dificultam as exportações. Moreira disse que a culpa do Brasil ter um desempenho medíocre no comércio exterior é só do governo. O empresário não pode ser responsabilizado, disse. Segundo ele, exportador não confia no governo e teme assumir compromissos lá fora, sendo que depois as regras econômicas aqui podem ser alteradas.
Na avaliação de Moreira, enquanto o país não fizer uma reforma tributária que dê condições de sobrevivência às pequenas e médias empresas se consolidarem na cadeia produtiva do segmento exportador, dificilmente o país conseguirá alavancar novos negócios.

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