Rio de Janeiro - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, reiterou o compromisso com a meta de 5,5% para a inflação deste ano e de 4,5% para o próximo ano. ''Essa é a melhor situação para o País considerando a taxa de crescimento e a inflação'', disse Meirelles sobre a meta deste ano. Políticos, empresários e economistas, inclusive o vice-presidente da República, José Alencar, e o líder do governo no Senado, Aloízio Mercadante, têm sugerido mudanças nas metas.
''Como todas as atividades que conduzimos no Banco Central, o regime de metas está sujeito a aperfeiçoamentos no médio prazo'', disse Meirelles em apresentação na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). ''Acreditamos, no entanto, que, da forma em que se encontra reestruturado hoje, o regime maximiza nossas chances de consolidar nossa trajetória de crescimento sustentado.''
De acordo com o presidente do BC, o crescimento este ano e no próximo já está assegurado e o governo está trabalhando para que ele seja ainda maior nos próximos anos.
Ao longo da palestra, Meirelles disse mais de uma vez que o caminho para o crescimento sustentado está baseado na responsabilidade fiscal, na preservação da estabilidade macroeconômica pelo sistema de metas e no ajuste das contas externas. ''A determinação na adoção de políticas corretas permitiu o início do processo de recuperação em prazo muito menor do que o previsto'', disse. ''O sucesso das políticas adotadas é inequívoco'', considera. ''Há muitos anos o Brasil não reunia condições tão favoráveis para ingressar em um processo tão duradouro de crescimento sustentado.''
Segundo Meirelles, ''o Brasil começa a estar preparado para mudanças naturais no mercado internacional''. Questionado sobre o que o Banco Central fará quando houver aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, ele afirmou que o Brasil está caminhando para um momento em que, quando a situação externa não estiver favorável, o País estará ''apenas bem'' em vez de ''muito bem''. Ele destacou que o saldo comercial está ''fortíssimo'', em um momento em que a economia está retomando seu nível de atividade, o que, segundo Meirelles, ainda não é bem percebido pelos analistas.
Outro ponto que considera importante e que estaria escapando à percepção de analistas é que o setor de máquinas e equipamentos, que por sua natureza é um indicador de investimento dos demais setores, está entre os que estão liderando o processo de retomada da atividade econômica.
O presidente do BC destacou que ''o verdadeiro determinante (do crescimento) é o investimento''. O setor de bens de capital cresceu 16,1% entre junho de 2003 (auge da retração econômica do ano passado) e janeiro deste ano, citou.

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