Meta de inflação deve ser descumprida de novo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de março de 2016
Agência Estado 
Brasília - O Banco Central previu que vai descumprir a meta de inflação pelo segundo ano consecutivo. A deterioração do cenário ocorreu mesmo com a expectativa de uma recessão econômica mais profunda do que a projetada no ano passado e a colaboração mais recente da baixa do dólar. Pelos cálculos do BC, o IPCA ficará em 6,6% este ano, acima do teto de 6,5% da meta perseguida pela autoridade monetária. Para o ano que vem, a perspectiva é de uma taxa de 4,9%.
Essa piora das projeções apontada ontem no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) - as anteriores eram de 6,2% e 4,8%, respectivamente - se deu porque houve um aumento dos riscos para a inflação. Antes, o BC citava apenas a questão fiscal como uma fonte de preocupação. Agora, passou a mencionar também a inflação corrente e as expectativas ainda altas e a indexação da economia.
"Diante desse cenário, expressamos com veemência que esse quadro não nos permite trabalhar com flexibilização da política monetária", afirmou o diretor de Política Econômica do BC, Altamir Lopes. Esse recado já havia sido dado outras vezes e foi registrado por escrito no RTI ontem. Apesar da repetição desse mantra há mais de um mês, a maioria dos analistas do mercado financeiro continua a estimar queda da taxa básica, atualmente em 14,25% ao ano, no segundo semestre de 2016. "O mercado que se adapte", disse. Lopes também negou que o BC tivesse sofrido pressão para baixar a taxa de juros.
Pelos cálculos da instituição, a chance de não cumprir a meta este ano subiu para 55%, enquanto a de 2017 avançou para 22%. O diretor repetiu ontem que o BC continuará a perseguir a meta de 4,5% no ano que vem e disse acreditar que o IPCA deste ano ficará abaixo do teto. "Acreditamos firmemente que a inflação de 2016 vai convergir para um ponto abaixo de 6,5%, assim como, a de 2017, nós acreditamos que vá ceder", disse.
PIB
A nova projeção negativa para o Produto Interno Bruto (PIB), que despencou de 1,9% para 3,5%, foi insuficiente, no entanto, para dar um refresco para a previsão de inflação. Da mesma forma, a nova cotação do dólar usada nos modelos do BC - de R$ 3,70, e não mais de R$ 3,90 da edição anterior - também não colaborou para uma diminuição das expectativas da autoridade monetária.
Pesa ainda sobre o comportamento dos preços, de acordo com Lopes, a inércia inflacionária de 2015. No ano passado, o tarifaço e o aumento de mais de 50% do dólar levaram o IPCA a subir 10,67%, o que tornou a inflação mais resistente neste ano. Uma fonte de alívio para os preços, no entanto, pode vir do setor externo, de acordo com o BC, porque a economia internacional tem mostrado uma desaceleração mais forte do que a imaginada anteriormente.


