Meta de inflação de 4% será mantida por Palocci
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sábado, 04 de janeiro de 2003
Agência Estado 
Rio de Janeiro Está 100% decidido: as metas de inflação de 2003 e 2004 não serão mudadas, mesmo que as chances de cumprimento, especialmente neste ano, sejam reduzidas. A informação está contida no discurso pronunciado anteontem pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci, na sua posse, e será ainda mais explicitada em breve.
No seu discurso de posse, Palocci disse que serão adotadas ''medidas de política monetária que garantam a convergência dos índices de inflação às metas já definidas pelo CMN (Conselho Monetário Nacional)''. Isto significa que a meta de inflação para 2003 é de 4%, com margem de tolerância até 6,5%, e que a meta de inflação de 2004 é de 3,75%, com margem até 6,25%. O BC trabalha com zero de possibilidade de que o IPCA (o índice meta) fique em 4% neste ano, mas considera que há uma pequena, mas não desprezível, possibilidade de que possa não ultrapassar do limite superior de 6,5%, no caso de um cenário excepcionalmente positivo em termos de câmbio e de outros fatores macroeconômicos.
O fato de que é bem mais provável que o IPCA fique acima do limite superior da meta em 2003, pelo terceiro ano consecutivo, levou a um debate sobre se seria conveniente mudar as metas para 2003 e 2004. A última estimativa mediana do mercado, coletada pelo Banco Central, para o IPCA de 2003, era de 11%, muito acima do teto da meta para o ano.
Caso a meta de inflação para 2003 fosse mudada, seria a segunda vez que isto estaria ocorrendo. Em junho de 2001, ela foi fixada em 3,25%, com margem de tolerância (para mais e para menos) de 2 pontos porcentuais. O teto, portanto, era de 5,25%. Em junho de 2002, a meta de 2003 foi excepcionalmente modificada para 4%, com margem de 2,5 pontos na prática, um teto de 6,5%. Naquele momento, o teto da meta para 2002, de 5,5%, já estava ameaçado, pela alta do dólar, que tinha subido de R$ 2,27, em abril, para R$ 2,85.
Os defensores de uma nova mudança de meta de 2003 alegam que ela é fixada para guiar as expectativas. Se há um consenso no mercado de que, muito provavelmente, a inflação deste ano ficará acima do teto de 6,5%, aquele objetivo de ancorar as projeções deixa de ser cumprido.
O BC, porém, raciocina de forma diferente. Ele admite que a perda de credibilidade no limite superior de 6,5% prejudica a orientação das expectativas que o sistema pretende realizar. Mas a opção de mudar a meta, pela segunda vez, também é prejudicial à credibilidade do sistema. Esta nova alteração passaria a impressão de que é a meta que persegue a inflação, e não o contrário (que é o correto).


