Brasília - O bom desempenho do comércio externo levou o governo a anunciar ontem novas projeções para a balança comercial de 2004. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, afirmou que a meta de exportações passou de U$S 88 bilhões para US$ 90 bilhões. Furlan também confirmou que o governo tem uma expectativa bem mais otimista em relação ao superávit da balança comercial, que passou de US$ 28 bilhões para US$ 30 bilhões.
''Estamos com a média de exportação muito próxima de US$ 400 milhões por dia. O mês de agosto mostra que vamos seguramente estar acima de US$ 8 bilhões no mês. Dependendo da segunda quinzena de agosto, poderemos chegar a US$ 9 bilhões. Isso nos dá o conforto de dizer que vamos atingir a meta de US$ 90 bilhões este ano'', explicou Furlan. Os dados mais recentes mostram que, até a primeira semana de agosto, a balança acumulava no ano um superávit de US$ 19,466 bilhões e as exportações somavam US$ 54,404 bilhões.
Segundo Furlan, essa estimativa positiva deve-se ao volume de venda de vários produtos industrializados, como remédios. ''Também está respondendo positivamente toda a cadeia produtiva do aço, que envolve automóveis, máquinas e equipamentos'', declarou Furlan.
Com base nas projeções feitas ontem, o governo aposta que as importações devem fechar na casa de US$ 60 bilhões, o que representa um aumento de 24% em relação aos US$ 48,253 bilhões de 2003. As importações teriam assim um crescimento ligeiramente maior que as exportações, que devem crescer 23% este ano. Em 2003, o País exportou US$ 73,084 bilhões.
No início do ano, as previsões eram mais modestas. Já havia a perspectiva de um crescimento do fluxo de comércio, mas o secretário de Comércio Exterior, Ivan Ramalho, admitiu, no dia 2 de janeiro, que esse aumento ocorreria ''em uma taxa inferior a de 2003''. Na ocasião, ele estimou que as exportações cresceriam apenas 9,46%, chegando a US$ 80 bilhões e as importações poderiam ser incrementadas em 20%.
Para o mercado financeiro, os números apresentados pelo governo também não são uma surpresa. Na última pesquisa semanal feita pelo BC com empresas e instituições financeiras, divulgada na segunda-feira, os analistas elevaram para US$ 29,7 bilhões a projeção para o superávit da balança em 2004.
''Esses números foram informados ao presidente e ele sugeriu que as novas metas fossem anunciadas na frente de um grande setor exportador (a General Motors)'', disse Furlan, logo após a apresentação do novo carro da Chevrolet Astra Multipower 2.0 no pátio lateral do Palácio do Planalto. O modelo é o primeiro carro produzido em série com capacidade para rodar com os combustíveis álcool, gasolina e gás natural e poderá ser um produto da General Motors a ser exportado, segundo o presidente da empresa, Ray Young.

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