Brasília - O ritmo do crescimento da economia registrado neste ano não afetará a meta do Brasil de ser auto-suficiente em petróleo até 2006. A previsão foi feita ontem pela secretária de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Maria das Graças Foster. ''Não vai atrasar nada'', afirmou a secretária.
Ela argumentou que esses níveis de crescimento já estavam previstos quando foi traçada a meta. No início de 2006, o Brasil deverá estar com produção de 2,2 milhões de barris diários e demanda de 2 milhões, segundo projeções do governo. Maria das Graças disse que o álcool teve grande importância nesse processo, e trouxe também uma maior proteção ao Brasil contra as incertezas do mercado do petróleo.
A secretária informou que as fontes renováveis de energia no Brasil já representam 43,8% da matriz energética, envolvendo hidroeletricidade, álcool, biomassa e outras fontes. A média mundial é de apenas 13%, e nos países desenvolvidos não passa de 6%. Só a biomassa, segundo Maria das Graças, já representa 3,4% da matriz brasileira, gerando 2.989 megawatts (MW) de eletricidade.
Deste total, o bagaço de cana responde por 2.107 MW. Mas os produtores de álcool têm estimativa maior: a produção para consumo próprio das usinas já estaria em 2 mil MW, e outros 600 MW são vendidos ao sistema elétrico. Segundo Maria das Graças, a produção de cana, de 350 mil toneladas por safra, tem um potencial de gerar energia equivalente a 760 mil barris diários de petróleo, se computados o potencial do caldo, da palha e do bagaço.
Hidrogênio O peso dos combustíveis renováveis deverá aumentar ainda mais na matriz energética brasileira quando a produção de hidrogênio tornar-se comercial para veículos. Maria das Graças disse que o Brasil está pesquisando essa tecnologia com outros países e pretende usar o hidrogênio comercialmente no prazo de 10 a 15 anos.
Ela disse que no prazo de seis meses o governo deve divulgar um plano de trabalho para a elaboração de um ''Programa da Economia do Hidrogênio'', e já há 24 instituições de pesquisa brasileiras envolvidas no projeto. Nos planos do Brasil, o álcool deve ser a principal matéria prima para produção do hidrogênio.
As usinas paulistas de álcool também estão querendo um aproveitamento melhor do bagaço e da palha da cana na geração de energia elétrica, que poderá aumentar ainda mais a participação da biomassa na matriz energética. Elas propuseram ao governo a criação de um programa de geração de energia com bagaço de cana nos períodos de seca da região Sudeste, que coincidem com o período da safra de cana.
Segundo Onório Kitayama, consultor da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), com a energia da cana chegando ao sistema elétrico, as usinas hidrelétricas poderiam poupar água na seca e estariam aptas a gerar energia adicional no período das chuvas.

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