Brasília - A nova trajetória da inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para os próximos anos deixa clara a opção do governo por um crescimento maior da economia e abre espaço para redução mais forte dos juros no segundo semestre deste ano. O CMN elevou de 3,75% para 5,5% a meta oficial do ano que vem para o IPCA, índice que serve de referência para o governo, e fixou em 4,5% a de 2005.
Na prática, o Banco Central já vinha orientando a política monetária considerando uma inflação de 5,5% em 2004. Mas, ao adotar como oficial o valor que era apenas um parâmetro ajustado, o governo passa a contar com um intervalo de 2,5 pontos porcentuais para cima ou para baixo para acomodar eventuais choques, sem ter de sacrificar tanto o nível de atividade.
Este ano, no entanto, a projeção de crescimento de 2% está sendo revista e o esforço do governo é para recuperar o fraco desempenho verificado no primeiro semestre e alcançar, pelo menos, 1,5% de crescimento este ano. O número oficial estará no relatório de inflação que será divulgado nos próximos dias.
Os estragos provocados pela crise de 2002 e o fraco desempenho da economia neste ano fizeram com que o governo deixasse a meta de 2003 numa espécie de limbo: ela não foi alterada, ficando em 8,5%, embora todas as estimativas de mercado apontem para uma taxa na casa dos 12%.
Atualmente, as expectativas do mercado financeiro apontam para uma inflação de 7,4% no ano que vem, mas a aposta do governo é de que esse valor deverá cair. ''Estabelecer uma meta maior elevaria as expectativas do mercado'', argumentou o ministro Palocci. ''Seria um erro inaceitável abandonar a trajetória que se mostra viável.'' Durante as discussões para definir a meta de 2004, o governo avaliou a hipótese de alterá-la para 7%.
O CMN decidiu também manter em 12% ao ano a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para os próximos três meses. Segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, para chegar a essa taxa, o governo levou em conta uma inflação projetada para 12 meses de 6,25% e uma taxa de risco Brasil de 5,75%.

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