Meta da Atlas é crescer 2% ao ano na área do Mercosul
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quinta-feira, 17 de setembro de 1998
Pedro Livoratti 
Aumentar a participação no mercado sul-americano em 2% ao ano, já a partir de 1999. Esta é a meta da Elevadores Atlas para a unidade inaugurada ontem pela manhã em Londrina. Atualmente a empresa, que detém 80% do mercado nacional de escadas rolantes e elevadores, tem menos de 10% de participação nos países do continente americano, que apresentam alta demanda.
A unidade de Londrina, que está trabalhando em fase pré-operacional, começa, a partir de 1º de outubro, a produzir à capacidade máxima - o que corresponde a 3.600 elevadores e 300 escadas rolantes por ano. O presidente do conselho administrativo da indústria, Paulo Villares, fez uma avaliação otimista sobre o mercado de médio e longo prazos.
Segundo ele, a nova unidade foi projetada para atender à demanda crescente nos países do Mercosul. Na avaliação de Villares, a desconfiança dos investidores internacionais sobre as economias dos chamados mercados emergentes não deverá atingir a nova fábrica (leia abaixo).
O presidente executivo da Atlas, Plínio Musetti, informou que as encomendas para os próximos 18 meses já estão definidas. Por isso, a alta dos juros e uma possível retração na economia brasileira não deverão atingir a comercialização do grupo, ao menos imediatamente. De acordo com Musetti, o segmento de produção de elevadores e escadas rolantes acompanha a demanda do setor da construção civil, que pelos cálculos da Atlas, cresceu 20% no ano passado em relação a 1996. A Elevadores Atlas teve um faturamento de R$ 420 milhões no ano passado, com crescimento de aproximadamente 12% da receita.
A empresa expande suas atividades quando completa 80 anos e deve produzir o seu equipamento número 80 mil. Instalada em uma área de 175 mil metros quadrados na Cidade Industrial de Londrina, a nova unidade emprega de imediato 365 pessoas. Utilizando moderna tecnologia de produção, a Atlas conclui até maio do próximo ano a segunda etapa de sua instalação com a construção de uma unidade administrativa e de uma torre de 109 metros de altura para testes e desenvolvimento de novos produtos. O investimento total da empresa, ao final das obras desta etapa, deverá chegar a R$ 70 milhões.
A unidade de produção ocupa uma área construída total de 32 mil metros quadrados. Os equipamentos estão distribuídos de forma a garantir produtividade e eficiência no processo. Um dos setores abriga uma minifábrica para a construção dos armários e dos comandos de sinalização, as caixas onde se programam os elevadores. Outra unidade é responsável pelas máquinas responsáveis pelos deslocamentos das cabines e dos equipamentos de segurança.
A linha de produção tem ainda uma unidade totalmente climatizada para medição dos componentes e outra para a fabricação de portas e batentes. Um robô automatizado é responsável pela soldagem dos batentes nas portas. Para o acabamento, a Atlas adquiriu um equipamento novo, de tecnologia nacional, que prevê a pintura das chapas metálicas. Um tanque com capacidade para 25 mil litros garante acabamento perfeito. A tinta utiliza água como solvente, tecnologia recomendada para reduzir o nível de poluição próximo a zero. Os efluentes da linha de produção são tratados em uma estação. Toda a água utilizada é reaproveitada. Um módulo da fábrica é destinado exclusivamente à produção de escadas rolantes.
A partir do próximo ano, deverá gerar uma arrecadação anual de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de R$ 15 milhões, segundo cálculos da diretoria da empresa.


