Mesmo rendendo menos, poupança bate fundos
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quinta-feira, 31 de maio de 2012
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
O ''gatilho'' acionado pelo Governo Federal que atrela a taxa básica de juros (Selic) às aplicações na caderneta de poupança realizadas a partir do dia 4 de maio finalmente está valendo. O rendimento passa a ser de 70% da Selic, mais a Taxa Referencial (TR), sempre que a taxa básica atingir a casa dos 8,5% - como agora - ou menos do que este percentual. Assim, a pergunta que martela a cabeça dos investidores tradicionais é: ainda vale a pena abrir uma caderneta de poupança ou é melhor aplicar nos fundos de renda fixa? Na ponta do lápis, de acordo com a Associação Nacional de Executivo de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a poupança ainda é a melhor opção, na maioria dos casos.
Mesmo com rentabilidade mensal diminuindo de 0,52% ao mês para 0,49% ao mês
para aqueles que investiram após o dia 4 de maio, num levantamento realizado para ambos os casos - antes e depois da medida governamental - a caderneta rende mais. A justifica é simples: os fundos de renda fixa possuem altas tributações do imposto de renda (IR), sendo maior a alíquota quanto menor for o prazo de resgate da aplicação. Além disso, existem as taxas de administração cobradas pelos bancos, que variam de 0,5% a 3%, que varia dependendo do montante aplicado.
Numa tabela de suposições criada pela Anefac, que compara o rendimento da poupança de 0,52% com os fundos de renda fixa mais tradicionais, variando apenas as taxas de administração e as alíquotas do IR, dos 26 casos criados, apenas em três os fundos de renda fixa foram mais rentáveis do que a poupança. Para aqueles que vão receber rendimento de 0,49% ao mês com a caderneta, a situação não se altera muito: dos 26 casos, apenas em seis os fundos rendem mais, e isso com taxas de administração dos bancos sendo baixíssimas, entre 0,5% e 1%. ''Com a Selic de 8,5%, a poupança só perde para os fundos, independentemente do prazo de resgate, quando a taxa de administração cobrada pelos bancos for mais baixa que 0,5% ao ano, o que acontece geralmente em aplicações para valores maiores que R$ 50 mil'', explica Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor-executivo de estudos financeiros da entidade.
Para o representante da Anefac, ainda há certo risco de migração de capital dos fundos para a poupança. Para evitar isso, Oliveira acredita que os bancos terão de reduzir ''custos das taxas de administração para não perderem clientes''.



