O ''gatilho'' acionado pelo Governo Federal que atrela a taxa básica de juros (Selic) às aplicações na caderneta de poupança realizadas a partir do dia 4 de maio finalmente está valendo. O rendimento passa a ser de 70% da Selic, mais a Taxa Referencial (TR), sempre que a taxa básica atingir a casa dos 8,5% - como agora - ou menos do que este percentual. Assim, a pergunta que martela a cabeça dos investidores tradicionais é: ainda vale a pena abrir uma caderneta de poupança ou é melhor aplicar nos fundos de renda fixa? Na ponta do lápis, de acordo com a Associação Nacional de Executivo de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a poupança ainda é a melhor opção, na maioria dos casos.
Mesmo com rentabilidade mensal diminuindo de 0,52% ao mês para 0,49% ao mês
para aqueles que investiram após o dia 4 de maio, num levantamento realizado para ambos os casos - antes e depois da medida governamental - a caderneta rende mais. A justifica é simples: os fundos de renda fixa possuem altas tributações do imposto de renda (IR), sendo maior a alíquota quanto menor for o prazo de resgate da aplicação. Além disso, existem as taxas de administração cobradas pelos bancos, que variam de 0,5% a 3%, que varia dependendo do montante aplicado.
Numa tabela de suposições criada pela Anefac, que compara o rendimento da poupança de 0,52% com os fundos de renda fixa mais tradicionais, variando apenas as taxas de administração e as alíquotas do IR, dos 26 casos criados, apenas em três os fundos de renda fixa foram mais rentáveis do que a poupança. Para aqueles que vão receber rendimento de 0,49% ao mês com a caderneta, a situação não se altera muito: dos 26 casos, apenas em seis os fundos rendem mais, e isso com taxas de administração dos bancos sendo baixíssimas, entre 0,5% e 1%. ''Com a Selic de 8,5%, a poupança só perde para os fundos, independentemente do prazo de resgate, quando a taxa de administração cobrada pelos bancos for mais baixa que 0,5% ao ano, o que acontece geralmente em aplicações para valores maiores que R$ 50 mil'', explica Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor-executivo de estudos financeiros da entidade.
Para o representante da Anefac, ainda há certo risco de migração de capital dos fundos para a poupança. Para evitar isso, Oliveira acredita que os bancos terão de reduzir ''custos das taxas de administração para não perderem clientes''.

Imagem ilustrativa da imagem Mesmo rendendo menos, poupança bate fundos
mockup