Mesmo ilegal, área de transgênicos deve crescer
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terça-feira, 15 de agosto de 2006
Alexandre Inacio<br> Agência Estado 
São Paulo - O Brasil é o país que apresenta maior adesão aos transgênicos no mundo. Nos últimos dois anos foram adicionados 4,4 milhões de hectares de lavouras geneticamente modificadas, segundo levantamento do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA). Na safra 2005/06, a área de soja transgênica ocupada no Brasil foi de 9,4 milhões de hectares, de acordo com o ISAAA. Esse número mostra que dos 22,22 milhões de hectares cultivados com soja na safra passada 42% já são de variedades transgênicas, o que indica a forte adesão dos agricultores brasileiros aos avanços da biotecnologia.
A tendência de expansão do cultivo de transgênicos será mantida para o próximo plantio, pois é considerada como uma das melhoras alternativas para reduzir de custos e enfrentar a crise que atinge o agronegócio nas duas últimas safras, quando o agricultor se viu obrigado a economizar nos gastos com insumos para se manter na atividade.
As perspectivas em termos de custos não são nada animadoras, pois as promessas de investimentos em logística não saem do papel, o dólar se mantém pouco atrativo para as exportações e o preço do petróleo se mantém em níveis superiores a US$ 70 o barril.
Mesmo com a redução prevista para a área plantada com soja na safra 2006/07, a expectativa é que os transgênicos mantenham sua expansão. Levantamentos não oficiais apostam que a soja geneticamente modificada deverá ocupar pelo menos metade da área semeada com o grão na próxima safra, motivada pela falta de sementes convencionais, que foram prejudicadas pelo clima, especialmente no Mato Grosso.
A soja RR e o algodão BT são as únicas culturas geneticamente modificadas autorizadas a serem plantadas comercialmente, mas não serão as únicas a ampliarem seu espaço. Mesmo que o cultivo de outras variedades algodão e milho signifique estar na ilegalidade, muitos agricultores garantem que precisarão plantar outras culturas transgênicas para se manter na atividade. ''A soja e o milho são culturas que não estão rentáveis, principalmente no Mato Grosso. O algodão é a única alternativa para fechar no azul a próxima safra, mas terá que ser transgênico'', afirma um produtor.
A exemplo do que ocorreu no caso da soja, a expectativa desses agricultores é que a pressão do setor funcione mais uma vez para que o governo e a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovem o cultivo comercial do algodão RR. A justificativa dada é que não faz sentido o Brasil proibir ou mesmo querer destruir o algodão transgênico cultivado de maneira irregular e ter que importar a pluma ou o óleo de caroço de algodão de outros países nos quais os organismos geneticamente modificados são liberados. ''Já vai faltar algodão este ano porque a safra será menor e as indústrias terão que importar. Se o governo mantiver a postura de querer destruir, como recomenda a CTNBio, o déficit será ainda maior'', afirma um produtor.


