Mesmo competitivo, etanol despenca nas vendas em abril


MARCELO TOLEDO
MARCELO TOLEDO

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Apesar de estar competitivo em 88% dos municípios de São Paulo, incluindo a capital, o etanol fechou o mês de abril com queda nas vendas nas usinas do centro-sul do país, segundo a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), devido à pandemia do novo coronavírus.

Foram comercializados no mercado doméstico em abril 1,1 bilhão de litros de etanol hidratado -utilizado diretamente no abastecimento dos veículos nos postos-, o que representou redução de 38,38% em relação ao mesmo período do ano passado, quando as vendas alcançaram 1,78 bilhão de litros.



Até a primeira quinzena do mês, a queda era de 35,77% nas vendas (560,48 milhões de litros), o que significa que a segunda quinzena do mês foi marcada pelo aprofundamento da redução na comercialização do combustível.

Já o etanol anidro -misturado à gasolina antes da chegada aos postos- teve redução de 18,97% no mês passado, com 480,19 milhões de litros vendidos pelas usinas, ante os 592,62 milhões de litros comercializados no mesmo período do ano anterior.

Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), na semana entre os dias 3 e 9 de maio, era mais vantajoso para o consumidor abastecer com etanol em vez de gasolina em 88% das cidades paulistas, mas a vantagem na paridade não foi suficiente para que as vendas fossem maiores.

O combustível derivado da cana-de-açúcar é competitivo quando seu preço equivale a até 70% do valor da gasolina.

Como as usinas exportaram 76,77 milhões de litros, o volume total de vendas alcançou 1,78 bilhão de litros em abril, ou 29% menos que no mesmo mês do ano passado, quando foram vendidos 2,55 bilhões de litros.

Diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues disse que, apesar do preço competitivo em relação à gasolina, a demanda por etanol tem futuro incerto devido aos impactos da pandemia, ao isolamento social e às oscilações nos preços da gasolina.

O cenário de queda já tem sido sentido pelas usinas desde a segunda quinzena de março, período que coincide com o início das medidas de isolamento social decretadas em virtude da pandemia do novo coronavírus.

No período, porém, a redução na venda do hidratado tinha sido de 20,81% em relação ao mesmo período de 2019.



Na segunda quinzena de abril cresceu nas usinas a porcentagem de cana destinada à produção de açúcar: enquanto em 2019 30,87% da cana moída teve como fim a sua fabricação, no mesmo período deste ano o índice chegou a 45,76%. Para Rodrigues, esse aumento é reflexo da perda de atratividade do etanol

Como você avalia o conteúdo que acabou ler?

Pouco satisfeito
Satisfeito
Muito satisfeito

Últimas notícias

Continue lendo